Trânsito livre

Conheça um apartamento quase sem nenhuma divisória

Foto/Divulgação
Roberta Cardoso

Transformar um apartamento tradicional, comprado na planta, em um lar todo integrado para receber uma família formada por um casal e sua filha de quatro anos. Esse foi o objetivo das arquitetas Clara Reynaldo e Cecilia Reichstul, do escritório CR2 Arquitetura, ao receberem a tarefa de remodelar este imóvel de 140 m², localizado no segundo andar de um prédio no bairro do Alto da Lapa, em São Paulo.

Entregue apenas com as áreas molhadas prontas, coube à dupla reorganizar a planta para atender o principal pedido dos novos moradores: viver em espaços amplos, com boas condições de circulação e o mínimo possível de paredes. “Logo na entrada tinha um banheirinho que juntamos com o quarto e virou um closet. Depois, demolimos a parede que separava cozinha da sala; tiramos as portas de acesso à varanda e nivelamos o piso. Por fim, transformamos uma das suítes em escritório”, enumera Clara.

Concluída a fase de obras e a redefinição da planta, que conta hoje com cozinha, living e varanda em um único espaço, foi a vez de ouvir as expectativas relacionadas à decoração. “Eles trouxeram apenas um banco da casa antiga. Os móveis que eles tinham eram de suas casas de solteiro. Agora, eles queriam móveis com a cara do casal”, lembra a arquiteta que, para tanto, desenhou todos os móveis em marcenaria, contemplando o desejo de unidade que eles almejavam.

Para dar uma conexão mais ‘horizontal’ entre os ambientes, foi executada uma grande estante de madeira que conecta e dá unidade aos distintos ambientes que compõem a área social. Para além do verde, a paleta de cores foi focada em tons mais neutros, do branco ao cinza. “Essa estante gigante é multifuncional: ela tem muitos nichos, serve como rouparia perto da TV. Já no outro lado, na parte voltada pra cozinha, vira suporte de micro-ondas e despensa”, comenta.

Outro ponto de destaque do projeto é a mesa de jantar. Com tampo de pedra e amparada por uma viga metálica que abraça a parede que lhe serviu de pilar, ela continua do outro lado, servindo à churrasqueira que está na varanda. “Contratamos um engenheiro para o dimensionamento, mas o resultado nos agradou muito. Depois selecionamos umas cadeiras mais hi-tech, gerando uma composição harmônica e funcional”, diz.

A madeira, por sua vez, foi outro material bastante explorado pela dupla de arquitetas. Presente de muitas formas e com diversos acabamentos, ela aparece, por exemplo, no piso, além de ter sido usada para confeccionar todos os móveis desenha dos pelo escritório. Nas duas suítes ela também foi muito empregada.

“Para o quarto da menina, providenciamos uma estante multifunção que tem até penteadeira embutida. No quarto do casal, colocamos um painel de fibra natural que serve como cabeceira e se liga a um móvel com gavetas”, pontua Clara. Somente na cozinha e na varanda, a matéria-prima aparece combinada a ladrilhos hidráulicos. “Apenas para marcar a divisão entre os ambientes”, complementa a arquiteta.

Em outras situações, a madeira surge como um verdadeiro elemento curinga. As ripas que envolvem a churrasqueira são as mesmas que escondem o equipamento de ar-condicionado que fica na varanda. “Essa era uma questão difícil de resolver porque as condensadoras tinham de ficar na varanda. Então chamamos um paisagista para, além de escondê-las com as ripas de madeira, criar um espaço verde que os moradores tanto prezam”, diz.

A cozinha e a área de serviço também foram fundidas na reforma. Seguindo a proposta de integração que permeia todo o projeto, a solução visou otimizar os espaços e garantir maior fluidez entre os ambientes. “A gente desenhou um único móvel para a cozinha e lavanderia. Nele estão embutidos equipamentos para os dois usos: tem tanto máquina de lavar louça, quanto de lavar roupa”, explica Clara. Para a arquiteta, este recurso foi essencial para o espaço contemplar mais de uma função, dentro de uma ocupação ampla e arejada. Na medida que os moradores e sua filha tanto desejavam.

COMPARTILHE