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Luz suave

Constelações da saudade

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

A saudade não chega em tumulto,
vem como estrela que desperta,
com passos de luz suave
e voz de lembrança cintilante.
Senta-se ao meu lado
quando a noite se alonga,
e o silêncio aprende a desenhar meu nome
nas linhas do firmamento.

É um perfume antigo,
cheiro de abraços que se tornaram astros,
de risos guardados em galáxias ocultas,
de promessas que ainda respiram
como estrelas que não se apagam.

A melancolia,
companheira fiel de alma profunda,
não é dor,
é constelação de memórias,
é o eco do que foi verdadeiro
e se recusa a morrer no infinito.

Há dias em que a alma retorna,
não por fraqueza,
mas porque deixou atrás
fragmentos de luz,
pedaços de estrelas
que ainda a chamam.

Sinto falta do que fui,
do que amei,
estranho até o que já não sou.
E nesse rito sagrado da saudade,
compreendo:
viver é também aprender a despedir-se
sem apagar o brilho do amor.

A saudade escreve com tinta celeste,
cada letra é estrela,
cada palavra é constelação,
cada memória pulsa docemente
como ferida que não deseja fechar,
porque guarda história.

E ainda assim, agradeço.
Pois só quem amou sem medida
conhece o céu da melancolia,
e só quem sentiu profundamente
pode converter lembrança
em poesia de estrelas.

Não fujo dela.
Deixo-a permanecer.
Porque em sua tristeza serena
habita a prova mais pura
de que meu coração esteve vivo,
que amei intensamente
e ainda assim…
sabe brilhar.

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