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Contra tudo e quase todos deu a bandeira de Bolsonaro. Por quê?

Foto/Arquivo Notibras
Wemerson Santos e Rebeca Seabra

Não faz tanto tempo assim que crianças e marmanjos brasileiros se divertiam ensaiando um gesto-assinatura que entrará para a história. Tanto faz o bípede ser gordo ou sarado, miúdo ou da quarta idade, é um gesto-assinatura que virou símbolo.

Basta inclinar o corpo na lateral, dar aos braços o formato imaginário de duas armas, mirar o céu com os dois indicadores e brincar de ser revolucionário. Tudo por obra do carismático e agora presidente da República Jair Messias Bolsonaro, o eterno capitão, o mito.

Com suas ideias ele vem influenciando um sem-número de brasileiros país afora. Bolsonaro não apenas disputou a eleição divertindo-se, como ainda convidou o Brasil a participar de sua festa. Nas vitórias que conquistou pelos estados e cidades, cabiam todas as bandeiras junto à brasileira.

Como escreveu um internauta à época das eleições, o candidato faz você acreditar que ele é capaz de ficar relaxado até diante de um pelotão de fuzilamento — talvez por confiar na sua capacidade de ser mais hábil que qualquer ser político.

“Ele é o próprio Messias. Veio para salvar o Brasil do caos geral”, sublinhou um comentarista pelo Twitter. Até mesmo o histrionismo de seus seguidores são dignos de ocuparem espaço na história dessa nova política que brotou em 2018.

Por um átimo reinou esperança, espécie de último suspiro da vontade de acreditar. Hoje tudo isso é exposto com orgulho pelas redes sociais, com a política adotada como um valioso capital da sociedade tão afundada em burocracia e mazelas. Hoje, tudo são signos dessa busca por renovação.

Monopólio da TV – Neste pedaço de história construído até aqui cabe outro signo – este temível aos grandes grupos de mídia – o da quebra do monopólio da TV como meio de comunicação oficial para um candidato se catapultar ao topo.

Pela primeira vez a internet foi o protagonista da história. Foi por meio dela que o nome Bolsonaro ganhou musculatura. Grupos em redes sociais, em meios de mensagens, em canais, em perfis pessoais… Um verdadeiro exército à serviço gratuito da bandeira brasileira.

Imprensa – Foram momentos em que, por meses, multidões de brasileiros conviveram uns com os extremos políticos dos outros.

Alguns apontam que os grandes responsáveis foram os sites de veículos de notícias ao mostraram suas faces doutrinárias e doutrinadoras ao se posicionarem claramente contra o candidato vencedor.

Um analista político descreve o quadro do seguinte modo: “empresas de notícias, grandes ou pequenas, funcionaram como extensões da assessoria de imprensa do PT. Nunca antes ficou tão claro o fato de um veículo de comunicação tomar um lado”, diz.

As pesquisas – Quem também entrou nos holofotes do público foram os malfadados institutos de pesquisa. A (im)precisão das pesquisas eleitorais na disputa pelo pleito de 2018 deu o que falar.

Um dia antes do resultado final, por exemplo, o Vox Populi colocou Bolsonaro e Haddad como empatados. Causou um nó na cabeça dos eleitores. Segundo o instituto, os candidatos teriam 50% de votos válidos e 43% em relação ao eleitorado total. Resultado diferente do que fora demonstrado.

Mas os erros foram além. Uma performance tão distante da realidade que chegou a tirar do sério o general da reserva Augusto Heleno, cotado para assumir o ministério da Defesa.

Para ele, “esses dois institutos (Ibope e Datafolha) estão a serviço das duas empresas de comunicação de vulto (Globo e Folha de S.Paulo) que produziram, contra Jair Bolsonaro, a campanha mais parcial e mais sórdida da República brasileira”, disse.

Valores – Uma coisa, porém, não muda neste mundo pós-eleição que parece estar de cabeça para baixo. É o papel da imprensa independente que age como bastião da democracia, da Constituição e do jornalismo inteligente.

Se alguns veículos de notícias se posicionaram acentuadamente favoráveis ao PT, outros se colocaram acentuadamente em relação ao Brasil. Uma bandeira que, acredita-se, continuará a tremular.

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