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Brasil

Cretinice política joga Bolsonaro contra a parede

Ka Ferriche

Impressiona a incapacidade de Bolsonaro de observar as armadilhas da retórica. Sem dúvida, é cansativo enfrentar a habilidade diuturna dos inimigos do honesto, quando os amigos da moralidade estão sofrendo baixas a cada dia. Vem do elegante bairro da Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, uma observação do empresário do setor aeronáutico Durval Farias, eleitor de Bolsonaro, o comentário de que as palavras do presidente são usadas como munição contra ele próprio.

Ele lamenta. Sua assessoria de comunicação – a de Bolsonaro -, se é que existe, é a pior do mundo. Há dislexia no entendimento da realidade. Ninguém sabe (seus apoiadores) como um presidente, que em nenhum momento foi pauta de corrupção – aliás, a grande emissora de TV nunca falou do tema – é objeto de assuntos menores transformados maldosamente em fundamentos para seu impedimento, que é esse o objetivo da platinada.

Cabe, entretanto, aos apoios honestos criticarem sugerindo caminhos, minimizando a atitude reincidente e boquirrota de Bolsonaro para salvá-lo. E salvar o Brasil da retomada cínica comunista.

O presidente precisa entender e acreditar que não existem só pessoas do mal ao seu lado, como seus filhos o fazem acreditar. Já perdeu um significativo exército de apoiadores virtuais, pessoas que estão exauridas de tanto ouvir bobagens fora de hora, que tanto municiam inimigos habilidosos. É burrice. Claro que é! Meia dúzia de apoiadores vão dizer que este artigo é contra ele, vão defendê-lo incondicionalmente, mas não estarão contribuindo.

Bolsonaro precisa de críticos amigos, que torçam por ele, não de puxa sacos que são o coronavírus político que atingem o presidente. Assim ele vai para a UTI.

A cretinice política é poderosa, fatal, não pode ser combatida sem habilidade. Uma cultura de 500 anos, onde a dominação sempre foi daqueles que roubam, como muito bem fizeram os governos do PT e outros antecessores.

Nos tempos atuais, exige metodologia mais elaborada, não aquela que foi consagrada em campanha. Um presidente não precisa entrar em debate incontrolado com o governador de São Paulo. Ingênuo, foi provocado e caiu na armadilha. Também não pode fazer referência ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado, seu entusiasta durante a campanha e que agora, diante da senha, se afasta. É burrice.

Bolsonaro não pode acreditar que a sua sinceridade inoportuna, declarada fora de hora, vai render votos como na primeira eleição. Não vai. Agora seus votos deverão vir de resultados. Temos um público eleitor altamente influenciável onde um pequeno segmento entende a sua revolta. Dória e Caiado sabem disso e sabem também utilizar essa ignorância popular.

A juventude que cerca o presidente é inabilitada para entender isso, e ele próprio não entende isso. E está iludido achando que a maioria de brasileiros, seus eleitores, entenderão tudo depois que as grandes mídias nacional e estaduais utilizarem seus rompantes contra ele de forma muito elaborada. Nenhum marqueteiro vai reverter isso, muito menos seus menininhos da comunicação.

As consequências são graves, o presidente está empurrando o Brasil de volta ao Foro de São Paulo, embora tenha feito quase tudo certo. Seu erro é apenas falar o que não deve na hora errada. Não evolui, não caminha, não sai da inércia de um raciocínio que já passou. Está apenas revelando a sua incapacidade adquirida em 28 anos de parlamento, quando muito pouco ou nada foi capaz de fazer. E nenhum de seus apoiadores levam isso em consideração, mas apenas o desejo de que o Brasil não seja devolvido à gangue anterior.

Assusta verificar que o perímetro de Bolsonaro é reduzido a cada dia, como a progressão geométrica da Covid-19. Ele conseguiu ficar isolado em um quadradinho, como é conhecido o Distrito Federal. Aos poucos, os governadores de 27 estados vão manipulando a opinião pública com o apoio da grande mídia em falência, do parlamento podre, do judiciário asqueroso.

Mas não é o presidente que deve externar o péssimo caráter dessas jurisdições. Se o fizer, é burrice. É muita burrice. A China já está na cozinha dos brasileiros, comendo as baratas, enquanto Bolsonaro e seus pupilos acreditam que o Brasil é os EUA. Lá, Trump reservou 10 trilhões de dólares para salvar seus compatriotas. E aqui, quanto temos só pra começar, senhor Jair? Ajude os brasileiros a ajudar a sua presidência. Cale a boca! Voce não é o Trump e os EUA não são o Brasil.

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