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Saúde

Culpa aumenta chance do descontrole alimentar

Luciana Kotaka

Quando o fim de semana chega, para muitos são momentos de tortura pois sabem que encontrarão muitas tentações pelo caminho. São encontros com familiares, saída com amigos, festas, churrascos, shopping, e todas essas atividades normalmente a comida é o grande atrativo.

Algumas pessoas chegam a cancelar compromissos para não enfrentarem a situação da exposição à oferta de comidas, pois não conseguem controlar o desejo de comer e acabam exagerando nas quantidades. Abrem mão da alegria para não sofrerem com o exagero alimentar que acabam cometendo.

Ontem eu vi uma postagem interessante que me remeteu à época de minha infância. O refrigerante era ofertado somente aos finais de semana, o brigadeiro nos dias de festas e o pão fresquinho buscávamos a pé. Isso lhe soa familiar? Tudo era permitido, eram raros os casos de obesidade.

Atualmente a oferta de alimentos é gritante, a cada esquina nos deparamos com uma proposta que enche a boca de água e atiça o nosso desejo. Até em farmácias encontramos prateleiras com os mais variados tipos de doces, um local onde se vende a cura. Tudo muito contraditório, por um lado se prega a saúde e o bem-estar, e por outro, se oferta justamente o que em excesso gera doenças.

Nessa roda-viva de desafios alimentares nos deparamos com pessoas que sofrem com a compulsão alimentar, com a sensação de impotência por não conseguirem dominar os impulsos e comer em excesso. O sofrimento é real e a falta de controle também. São levados a comer mais e mais, algumas vezes nem se dão conta no momento, mas quando cai a ficha o sofrimento e a culpa são intensos.

E quanto mais se aventura a fazer dietas restritivas, pior fica a perda de controle. Hoje já sabemos o quanto esse caminho não é o mais assertivo, é preciso fazer as pazes consigo mesmo e com a comida. Sempre iremos nos deparar com situações em que a comida estará presente e é gostoso demais comer o que se gosta, sendo importante aprender a abrir e fechar janelas, isto é, comer o que sente desejo, sem exagero e voltar a cuidar da alimentação.

Existe o caminho do meio, aquele que encontramos o equilíbrio. Se acolher diante da recaída e se levantar para dar continuidade aos cuidados necessários para se ter uma boa saúde. Quando nos acolhemos, fica muito mais fácil pois entendemos e sentimos que é possível sim comer o que dá prazer sem exagerar, pois parte do descontrole ocorre porque na tentativa de perder peso, restringindo o que ama comer, gerando posteriormente o descontrole.

É preciso aprender a lidar com a culpa, ela é um dos disparadores da compulsão. Não há certo ou errado, o que é importante é o equilíbrio, pois na vida é assim, nem tanto para um lado e nem tanto para o outro. Os excessos de radicalismo são sim prejudiciais. Desta forma, ao conseguir se perdoar pelas recaídas e seguir em frente recomeçando com equilíbrio, aos poucos vai se aprendendo a comer bem, sentir prazer e se divertir onde quer que esteja.

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