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Casa e Decoração

Cultivar plantas vira hobby no isolamento social

Carolina Paiva, Edição

Em tempos de pandemia, por incrível que pareça, sobra tempo para muita coisa. E tem gente aproveitando essa ociosidade forçada para um hobby que dá gosto: cultivar plantas em casa. O cultivo e a convivência com as plantas pode trazer muitos benefícios para o nosso bem-estar, especialmente em meio aos estressantes dias de isolamento que vivemos. Por meio do contato diário, humanos e plantas podem desenvolver um relacionamento espontâneo, salutar para ambos, mas que, como qualquer outro, demanda trocas.

Uma condição aparentemente óbvia, mas que só se realizou para mim, anos atrás, quando tomei contato em Verona, Itália, com o trabalho do estúdio de design Dossofiorito, ou ‘colina florida’, (dossofiorito.com) do casal Livia Rossi e Gianluca Giabardo. Ambos apaixonados, diria obcecados, por plantas, por sua morfologia e pela ideia de viver cercado por elas.

Lembro bem das palavras de Livia diante da minha surpresa ao constatar a inexistência de quase nenhum canto naquela antiga oficina de automóveis, transformada em casa e ateliê, que não estivesse ocupado por algum tipo de vegetal. E, mais ainda, pela maneira radicalmente nova em que as mais diversas espécies apareciam expostas. Sempre por meio de vasos e suportes lúdicos, nos quais as plantas não pareciam reduzidas a meros elementos decorativos, mas eram tratadas como seres dignos e significativos.

“As plantas são sensíveis, reagem a estímulos. Podem se transformar a partir do estado das coisas a seu redor. E, apesar de não se movimentarem como os animais, elas também se expressam, só que de uma forma mais contida”, disse ela. As peças criadas pela dupla teriam assim um objetivo mais ambicioso: aprimorar a experiência humana, mas também a da planta.

Partindo, segundo Gianluca, de uma exploração curiosa, mas também amparados por estudos científicos, a dupla ampliou seus conhecimentos do metabolismo das plantas, e o resultado surgiu na forma de uma série de curiosos projetos, nos quais o duo propõe uma aproximação, sem intermediários, com o mundo vegetal.

Caso, por exemplo, do The Phytophiler, ou Observador de Plantas, nos quais suportes de terracota ganham diversos apêndices – hastes metálicas, espelhos e lentes, sempre considerando o desenvolvimento particular de cada planta. Ou ainda o Ludmilla, um conjunto de vasos de vidro soprado, nos quais o ponto focal se desloca, engenhosamente, da flor para as raízes da planta.

Que contemplar plantas e flores é uma das maneiras mais eficazes de trazer beleza e alegria para nosso cotidiano, disso não restam dúvidas. A trajetória do Dossofiorito, porém, nos incentiva a ir além. Tentar entender e acompanhar de perto o crescimento das plantas pode enriquecer ainda mais a experiência. Tudo é uma questão de cuidado, proximidade e observação.

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