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Currículo respeitado

Daniel Barros corre para ser único policial progressista entre os distritais

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Autor/Imagem:
Maria Eulália Pinheiro - Foto Acervo Pessoal

Em meio a um cenário em que a segurança pública ganhou protagonismo no debate eleitoral do Distrito Federal, um nome tenta ocupar um espaço ainda pouco explorado pela esquerda brasiliense: o do policial que conhece a corporação por dentro, mas que também carrega no currículo a militância social e acadêmica. Pré-candidato a deputado distrital pelo PT, Daniel Barros reúne trajetórias que raramente caminham lado a lado — a de engenheiro agrônomo ligado à luta pela reforma agrária e a de policial civil com 27 anos de atuação.

Alagoano de origem, Barros formou-se em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), período em que participou do movimento estudantil e de ações ligadas à pauta da reforma agrária. Mais tarde, especializou-se em Polícia Judiciária e ingressou na carreira policial em 1999. Desde então, construiu uma trajetória que mistura experiência operacional, formação acadêmica e atuação no campo educacional. Atualmente, leciona na Escola Superior da Polícia Civil (ESPC) e também atua como escritor e artista plástico.

Entre as principais bandeiras defendidas pelo pré-candidato está a reformulação dos currículos das academias de polícia, com fortalecimento de convênios entre as corporações e universidades públicas. A proposta busca modernizar a formação policial, ampliando conteúdos humanísticos e técnicas de inteligência e investigação capazes de reduzir tanto a letalidade policial quanto a mortalidade de agentes em serviço.

“A formação do policial não pode ser apenas técnica ou bélica. É preciso formar um agente cidadão”, afirma.

Daniel Barros também defende mudanças estruturais nas corporações, como a implantação da carreira única na Polícia Civil e a criação de uma única porta de entrada para a Polícia Militar, acompanhada da desmilitarização da corporação. Na área social, propõe programas públicos de financiamento habitacional voltados aos profissionais da segurança, medida que, segundo ele, contribuiria para reduzir vulnerabilidades enfrentadas pelos agentes e suas famílias.

Outro ponto presente em seu discurso é a retomada da aposentadoria especial e das pensões nos moldes anteriores à reforma da Previdência aprovada durante o governo Jair Bolsonaro. O pré-candidato também apoia a criação de um fundo nacional de saúde para policiais, com cobertura ampliada para além do Distrito Federal — reivindicação antiga de parte da categoria.

Ao analisar o cenário recente da segurança pública, Barros afirma que houve avanços salariais no atual governo Lula e critica o que considera “arrocho salarial” nos períodos de Michel Temer e Jair Bolsonaro.

“Enquanto a categoria perdia poder de compra, muitas lideranças permaneceram em silêncio. O PT encontrou espaço justamente nessa lacuna”, sustenta.

O policial e professor também tenta se apresentar como uma ponte entre as corporações e os governos federal e distrital, especialmente diante das articulações petistas para 2026, que incluem os nomes de Leandro Grass ao Palácio do Buriti e Érika Kokay ao Senado.

A candidatura de Daniel Barros também dialoga com o debate nacional em torno da PEC da Segurança Pública, proposta que busca ampliar a integração entre forças estaduais e federais no combate ao crime organizado.

“A população quer segurança, mas também quer uma polícia que respeite e seja respeitada. O PT nunca teve um representante direto da corporação no DF. Agora esse diálogo pode existir”, afirma.

Com apoio construído dentro das próprias forças de segurança — movimento ainda raro entre candidaturas progressistas — Daniel Barros aposta em um discurso que combina valorização dos trabalhadores da segurança, modernização institucional e defesa de políticas públicas voltadas à redução da violência.

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