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Sujo na rodinha

Davi merece resposta satírica com suas pegadinhas maldosas

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Autor/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto de Arquivo/Valter Campanato

Originada do latim vulgar da Península Ibérica e derivada do galego-português, a língua portuguesa é um idioma romântico com mais de 250 milhões de falantes em quatro dos cinco continentes, particularmente em Portugal, no Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Cabo Verde, Timor-Leste, Macau e São Tomé e Príncipe. No Amapá, os dialetos mais comuns são o símbolo do cifrão e o brasão do poder. Influenciado por línguas indígenas e africanas, o português brasileiro apresenta diferenças notáveis em relação ao país de Dom João VI, D. Pedro I e Pedro Álvares Cabral, o nosso oficioso descobridor.

O oficial foi Deus, que já havia enchido a Terra Brasilis de índios e de parlamentares do tipo Davi Alcolumbre e sua selvagem trupe. Multifacetado, rico em vocabulário e construções sociais, mas, no contexto linguístico, popularizado, banalizado e, às vezes, vulgarizado no Brasil pela falta de rigor no uso da norma culta, o nosso português se transformou num balaio de significados. São as famosas pegadinhas, algumas de duplo sentido, as quais eu prefiro denominar de nuances ou sutilezas da língua. Elas (as pegadinhas) se utilizam de homônimos e ambiguidades para criar situações cômicas.

Por exemplo, você tem dado em casa nada mais é do que alguém perguntando sobre dados de jogo. Jacaré no seco anda? Basta responder “anda” e estará encerrada a questão. Mais difícil é explicar ao interlocutor a respeito dos perigos da cozinha. É somente uma constatação a afirmação de que, ao cozinhar um ovo, percebi que havia um pintinho dentro. Talvez incomode ao amigo imaginar se eu cozinho com um pinto dentro. Como sou do bem, tem coisas que evito perguntar a qualquer um.

Para ilustrar minha preocupação com o ouvido alheio, jamais indago a alguém é da direita desconexa, se ele é rico, pobre ou dá para viver. Nem pensar em frases como “Você é mais velho ou nasceu depois deu?” “Que time é teu?” “O negócio continua de pé, só esperando uma posição sua” e “Meu palmo olhado de cima é muito grande”. Às vezes, me surpreendo convidando um ou mais amigos para ouvir um discurso do presidente do Senado ou para tomar uns goles. Me recupero rapidamente da falha técnica e me corrijo dizendo para mim mesmo que não ouço baboseiras e não tomo nada em lugar algum. Eu apenas bebo.

No futebol, a grosseria é imperdoável quando o gozador lembra que o adversário perdeu de quatro. Quando sou a vítima, devolvo na mesma moeda e parabenizo o companheiro que levou de quatro. Didaticamente, será que é melhor perder ou ganhar de quatro? Sei lá. Melhor nem procurar saber. É como aquela história de que em toca de paca, tatu caminha dentro. Cabreiro e sempre com um olho no padre e outro na missa, tenho na ponta da língua a resposta àqueles que me perguntam como estou: Não como você, mas estou indo. Como sei que nada sei, nunca quis saber por que há um índio sentado no chão e outro no asfalto, tampouco qual deles tem terra na bunda. Na verdade, evito esse tipo de besteira quando estou com a rapaziada.

A exemplo dos comandados de Davi Alcolumbre (União-AP), às vezes ajo como asno, mas morro de medo de ficar sujo na rodinha. Aliás, a pergunta que não quer calar: Quando você está deprimido (a), pede um consolo aos bolsonaristas ou vai ao psicólogo e se abre para ele? Perdão pelo besteirol de início de semana. Eu até tenho controle. O problema é que tô sem pilha. Me deu fome. Vai fazer vitamina? Bate uma com mamão para mim? Prefere café? É melhor café da cafeteira ou no coador é mais forte? Tempo raro hoje, né? Gato escaldado nas águas calientes de Salvador, peguei nojo do tal Alcolumbre. Tanto que é só ouvir seu nome para lembrar da máxima dos baianos: Lá ele!

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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras

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