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Brasil

Deputados ruralistas colocam índios, gays e quilombolas no balaio



As declarações têm mais de dois meses, mas só agora foram tornadas públicas: deputados federais gaúchos ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária atacaram minorias da sociedade, classificando quilombolas, índios, gays e lésbicas como tudo o que não presta.

A afirmação, incisiva, foi feita no fim de novembro de 2013 pelo presidente da frente, deputado Luis Carlos Heinze (PP). Todo o grupo virou alvo de críticas nas redes sociais e também do Greenpeace.

Mas Heinze não parou por aí. Nem o ministro Gilberto Carvalho, que ocupa um gabinete ao lado da sala da presidente Dilma Rousseff, escapou dos ataques. “É ali (na sala de Gilberto Carvalho)  que estão aninhados quilombolas, índios, gays, lésbicas, tudo que não presta, ali está alinhado. E eles têm a direção, têm o comando do governo”, diz  o deputado em vídeo e postado nesta quarta-feira nas redes sociais.

Em outro trecho do vídeo, Heinze aparece falando sobre o uso de segurança privada em propriedades rurais para impedir ocupações. Ele cita o exemplo do Pará e do Mato Grosso do Sul e pede aos proprietários que se “defendam”.

“No Pará, eles contrataram segurança privada. Ninguém invade no Pará porque a Brigada Militar não lhes dá guarida lá e eles têm de fazer a defesa das suas propriedades. Por isso, pessoal, só tem um jeito: se defendam. Façam a defesa como o Pará está fazendo, como o Mato Grosso do Sul está fazendo.”

Outro deputado que aparece no vídeo, Alceu Moreira (PMDB) classifica de “vigaristas” os que tentam ocupar propriedades. “Nós, os parlamentares, não vamos incitar a guerra. Mas nos digam. Se fardem de guerreiros e não deixem um vigarista desses dar um passo na sua propriedade. Nenhum. Nenhum. Usem todo o tipo de rede. Todo mundo tem telefone. Liguem um para o outro imediatamente. Reúnam verdadeiras multidões e expulsem do jeito que for necessário”, afirma o parlamentar em um trecho na edição feita.

Após a publicação do vídeo, o Greenpeace se manifestou através de nota publicada em seu site, e criticou o posicionamento dos parlamentares. De acordo com a ONG, os discursos dos deputados “incitam a violência contra lideranças indígenas que tentam retomar suas terras invadidas por fazendeiros, grileiros e madeireiros, como também insultam gays e lésbicas, e reforçam o discurso inverossímil acerca da demarcação de terras indígenas para o público de produtores rurais”.

O PP, partido de Heinze, também se manifestou em nota sobre a declaração do parlamentar, e afirmou que “não compartilha de forma nenhuma com qualquer manifestação preconceituosa ou que incite a violência contra qualquer grupo”.

“Defendemos a pluralidade e a convivência pacífica entre as pessoas, sempre respeitando suas opiniões e diferenças. O PP não tem qualquer compromisso com o erro ou manifestação infeliz que por certo ocorre também com integrantes de outros partidos”, diz a nota da legenda. “As opiniões divergentes ocorrem, muitas vezes, entre membros da própria família, como acontecem, também, entre os membros dos partidos políticos.”

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