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Brasil

Descoberta mão que vaza zaps. Falta o cabeça

José Seabra, Diretor de Redação

Repórteres de Notibras e do site Quidnovi, do jornalista Mino Pedrosa, percorreram há um mês corredores sinuosos e gabinetes até então impenetráveis em busca de uma informação que circulava nos bastidores militares: havia alguém por trás do repórter Glenn Greenwald, responsável por vazar no The Intercept Brasil informações trocadas por aplicativos entre o ministro da Justiça Sérgio Moro e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato Deltan Dallagnol,

A suspeita, agora confirmada por Notibras, era a de que Greenwald tem servido de instrumento para, com seus vazamentos, desestabilizar não o governo de Jair Bolsonaro, mas puxar o tapete de alguns dos seus auxiliares. Os alvos eram, como ainda são, ministros que faziam e fazem sombra ao presidente. A ‘síndrome da conspiração’ permanece viva. As mãos que vazam mensagens começam a aparecer. Resta saber quem é o cabeça.

Para invadir celulares, tablets e computadores, o grupo utiliza um equipamento desenvolvido em Israel. A empresa é a NSO Group. O software custa uma fortuna. A NSO, sediada em Tel Aviv, entrou no foco agora não só de autoridades brasileiras, mas também de Moscou, Washington e Pequim. As áreas de contra-informação desses países tentam uma saída para conter os ataques dos hackers que espionam principalmente donos de smartphones Android e iOS.

Uma reportagem do Sputniknews, da Rússia, publicada neste sábado, 20, sugere que os spywares da NSO Group podem obter dados dos usuários dos servidores Apple, Google, Facebook, Amazon e Microsoft. Uma informação semelhante foi veiculada em artigo no Financial Times, de Londres, no dia anterior.

A NSO Group, representada no Brasil por filhos de militares de alta patente, reconhece que produz o software, mas nega que seu objetivo principal seja rastrear, copiar e manipular mensagens. Admite, contudo, que a tecnologia, oferecida a um restrito mercado, pode ser usada por hackers por meio de caminhos fora da legalidade.

O software tem nome. É Pegasus. O smartphone infectado fornece ao software produzido pela NSO Group as chaves de autenticação para o Google Drive, o Facebook Messenger e os serviços em nuvem do iCloud. Com essa tecnologia, revelam especialistas em Tecnologia da Informação, o Pegasus consegue contornar a autenticação em duas etapas e a notificação por e-mail. E os usuários se dão conta da invasão somente após a divulgação das mensagens trocadas.

Representantes da NSO Group tentaram vender o Pegasus à Agência Brasileira de Informação (Abin) e à Polícia Federal, logo no início do governo Bolsonaro. Mas a demonstração do equipamento foi desqualificada.

As mãos que operaram o software durante o teste, prometeram mostrar que o sistema é infalível. Conseguiram isso vazando, após uma suposta manipulação, mensagens de Gustavo Bebianno, demitido em seguida da secretaria-geral da Presidência da República. Depois foi a vez de Santos Cruz, ministro-chefe da Secretaria de Governo, perder o cargo. A exemplo de Bebianno, o general também foi vítima de vazamentos supostamente manipulados.

Nas pesquisas de avaliação do governo Bolsonaro, o ex-juiz Sérgio Moro sempre aparece como a figura mais importante. É visto como uma espécie de escora para segurar o presidente. Quem tenta empurrar a venda do Pegasus para a Abin e a PF sabe disso. Moro é uma sombra que pode tomar corpo em 2022. A única arma capaz de derrotar eventuais projetos futuristas do ministro é produzida em Israel.

Se valer, o ditado vai para o presidente: a mão que gerou Carluxo, que tome as providências. Ou balance na cadeira.

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