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1º de Abril

Dia da Mentira serve para lembrar que os enganados não esquecem enganadores

Publicado

Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto Editoria de Imagens/IA

Hoje é 1º. de abril de 2026, dia de pegar os políticos na mentira e antevéspera da véspera da renúncia de ministros, governadores e prefeitos que, mesmo sem asas, querem alçar voos mais altos. A maioria dos governadores e ministros de Estado já saiu. Alguns foram saídos e outros permanecerão no poder até que um aliado apague a luz. Justamente por conta do período pré-eleitoral, acho que este ano não será igual aquele que passou, muito menos parecido com o de 2022, quando as mentiras que sugeriam verdades acabaram melando a Marcha da Família com Deus pela Eleição do Mito.

Seguidores fiéis interromperam a procissão com o santo ainda no andor e quase acabaram com a missa encomendada para saudar o novo milagreiro do pedaço. Fomos salvos por alguém de fora da plateia patrioticamente ensandecida que, aos gritos de Olha a faca, Olha a faca, conseguiu transformar em piada sem graça o que poderia ter sido um golpe de consequências inescrupulosas. Verdade ou não, os autores e executores do fracassado levante imaginaram uma nova revolução política como um daqueles milagres capazes de dispensar os gestores de resolver os numerosos e nevrálgicos problemas do país.

Salvaram-se todos. E em 2026? Tomara que o povão sedento por democracia pense direito e eleja um presidente que, mesmo sem malabares, consiga se equilibrar entre os sonhos dos canarinhos e os arroubos antipatrióticos dos que chamam os sensatos de comunistas. Também torço para que sejam eleitos governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais que, pelo menos temporariamente, esqueçam os jantares do Lions e do Rotary Clube, bem como as fotos com as rainhas e princesas da Maçonaria, e honrem a palavra e os compromissos com o eleitorado que os elegeram.

Partindo da premissa de que o bom político é aquele que deixa um legado positivo para a população, não devo esquecer de lembrá-los que o tempo passa rápido e que o eleitor enganado não esquece dos enganadores. Sugiro solenemente que nenhum desses usurpadores tente pedir desculpas aos eleitores indagando se eles também nunca erraram. Não façam como aquele senador que, ao tentar a reeleição, garantiu que estava de volta para reparar seus erros: – Quem nunca errou que atire a primeira pedra. Não terminou a frase e foi atingido por um paralelepípedo. Identificando o autor do ataque, o político desenxabido perguntou se o eleitor nunca havia errado.

A resposta foi curta e grossa: – Dessa distância, não. Meus caros candidatos ao que quer que seja, ponham na cabeça que de hoje até 4 de outubro, data da eleição, todo dia será 1º. de abril. Portanto, se não tiverem o que dizer, fiquem calados. Não façam como um antigo postulante à Câmara dos Deputados que, em seus discursos, se limitava ao singular. – Se for eleito, vou construir as iscola, as egreja, as creche. Atendendo recomendação de um assessor para empregar o plural, não perdeu tempo: – Também vou empregá o plurá, a mãe do plurá, o pai do plurá e toda a família do plurá. Querem que eu diga para onde foi o candidato? Melhor não.

Como sou besta e não sou candidato a nada, decidi me recolher inclusive como provável futuro pesquisador de um desses institutos que perguntam, perguntam, perguntam, mas raramente refletem a verdadeira tendência do eleitorado. Aconteceu comigo em eleições passadas, quando, por conta própria e via telefone, resolvi pesquisar meus vizinhos da comunidade. Minha pergunta era simplória: Em quem você votará para presidente? O resultado foi inesperado: 70% responderam na lata: – Na sua mãe, filho da….. Após a alegria de perceber que mamãe seria eleita no primeiro turno, veio a preocupação, pois ela nem era candidata. Ou seja, na dúvida optem pela oração que o Pai nos ensinou: “O voto nosso de cada dia dai-nos hoje, perdoai nossas incoerências e não nos deixeis cair na intenção de voto. Amém”.

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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras

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