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Desgaste à democracia

Direita confunde voto com vida e deve se opor a programa contra crime

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Aliada à intolerância dos “patriotas”, à desonestidade de boa parte dos políticos e à manipulação dos politiqueiros, a ignorância e a inocência do povo têm contribuído celeremente para a destruição da democracia, para o aniquilamento do país e, por extensão, para o crescimento diário do crime organizado. E assim vamos seguindo com homens públicos que determinam quem tem poder e corruptos que se perpetuam e sobrevivem à custa da suposta ingenuidade de expressiva parcela da população.

Resumindo, o desconhecimento político de uma sociedade, além de contagioso, gera a satisfação de políticos vigaristas e o prazer de maus empresários. Ou seja, ao contrário do que pregam os mais espertos, o preço dessa ignorância e do fanatismo político-partidário é a imbecilidade da polarização, a corrupção, a fome, a miséria, a violência, o desemprego, as injustiças, o abismo social e os abusos de criminosos com tentáculos espalhados por variados setores da vida pública da nação.

Por isso, caso não seja contido ou minimizado, as facções criminosas, nelas incluídas o tráfico de drogas e a milícia, deverão, a curto e médio prazos, tomar conta ou dividir o território nacional. Para tentar evitar o caos na segurança pública do Brasil, o governo federal, com recursos da ordem de R$ 1,06 bilhão somente este ano, lançou nessa terça-feira (12) um novo pacote contra o crime organizado, instalado de Norte a Sul e, agora, com raízes na política, na polícia e no Poder Judiciário

Lançado com apartidário e apolítico, o programa, com foco no combate às estruturas financeiras dessas organizações e no maior controle das penitenciárias, de onde os chefes de quadrilhas comandam as operações que sustentam seus sistemas, deve naufragar caso não haja apoio ou participação dos governadores de oposição. A tendência é que os governos estaduais usem a eleição presidencial como mote para impedir o avanço da proposta, consequentemente para minar um eventual crescimento de Lula da Silva nas pesquisas eleitorais.

Às vésperas das eleições gerais, a tacanha, retrógrada, antipatriota e antipovo contrariedade dos governadores de direita mais uma vez mostrará aos milhões de eleitores brasileiros quem realmente os defende. Incitada por deputados, senadores e simpatizantes do bolsonarismo, a provável ação nos estados será a continuação do roteiro de satanização das instituições sérias e voltadas para o bem-estar do novo. Iniciado em 2022, com a desqualificação do sistema eletrônico de votação, o plano da direita e da extrema-direita ficou claro quando o Senado de Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu engavetar a PEC da Segurança Pública. Mais do que medo político, a intenção dos extremistas é sabotar o Lula 3 e desgastar a democracia.

Chegamos ao ponto em que o debate está restrito àqueles aos quais a gente ama ou odeia. Ou seja, entre o pé esquerdo e o direito, perdemos o bom senso. É o nós contra eles. Como só encontramos a nós mesmos depois de encarar a verdade, talvez voltemos a refletir sobre o caos quando nos transformamos definitivamente em reféns do crime organizado. O programa do governo não visa a ganhar eleitores, mas a salvar vidas. Entretanto, a direita só pensa em votos. Por isso, é bom atentarmos para o detalhe de que, como defensores públicos de retrocessos, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema não significam projeto, tampouco futuro. Na verdade nua e crua, eles são puro cansaço.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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