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Brasília

Discípulo de cachoeira pode morrer de sede

José Seabra, Diretor de Redação

Meu caro Etelmino, me perdoe por escrever e não falar em um café. Mesmo porque, café com você já não há quem queira tomar. Nos conhecemos na época do gravador. Porém, nesses tempos virtuais, não se usa mais fita. Permito-me, portanto, alguns apontamentos nesse mundinho criado por Tim Berners.

Quero jogar futebol, e não levar uma bola. Quero chuva, e não tempestade. Se a coisa tá preta – como parece estar para o seu lado -, não é com mutreta que se livra da situação. Procuro levar a vida de cabeça erguida, mas sem pirraça. Em alguns momentos, inclusive, com direito a cachaça, mas sempre mantendo a sobriedade.

Não qero provocar você. Apenas atiçar as saudades do tempo em que Mino Pedrosa era um profissional respeitado. Temendo sandices da sua parte, me furto a lhe contar novidades.

Escrevo em cima de fatos para ganhar o pão. Mas sem birras, sem tirar sarros. Como não há transação, não há careta. Voê sabe disso, Etelmino. Como também é do seu conhecimento que há muito bicho solto que pula de cachoeira, como predador para matar os Marcolas maus. Mas, sorte sua, nem todo Marcola é do mal.

Ainda tenho – creio como provável que você já não possa contar com ele – um amigo recolhido às margens do lago Serra da Mesa, convalescendo de uma doença que tanto aflige os que o rodeiam. Publicitário, já teve agência. Hoje, porém, nada tem a ver com a empresa. E estando a 300 quilômetros de Brasília, não poderia ele, na manhã desta sexta, 9, participar de uma reunião no Palácio do Buriti.

Uma reunião pública, sobre a qual você, maldosamente, tentou levantar suspeições infundadas. Como profissional de imprensa ao longo dos últimos 50 anos, comandei Welinton Morais e por ele fui comandado. O mesmo posso dizer do Paulo Pestana, um profissional ímpar. São colegas de profissão. Divergimos em alguns pontos, mas nos respeitamos. É natural de quem tem caráter.

Etelmino, você sabe que milhares de pessoas em Brasília vivem do, para e pelo mercado da comunicação e da publicidade. São tantas as categorias profissionais que, se nominadas, fariam deste texto uma Wikipédia. Você sabe da crise que os profissionais do setor enfrentam. Como também sabe que apenas um tem cachoeira para saciar a sede.

Uma licitação de publicidade, aberta, isenta, onde os candidatos que se apresentam conhecem a lisura do processo, não pode ser motivo de ataques medíocres. Em processos dessa natureza, lupas são jogadas sobre o Poder Executivo em busca de supostas falhas. O Ministério Público fez isso, o Tribunal e Contas fez isso. E as lupas foram recolhidas sem encontrar qualquer mancha.

Mas você, de má fé, procurou pelo em ovo, chifre em cabeça de cavalo. Olhe-se no espelho, Etelmino. Tente resgatar a imagem do antes respeitado e premiado Mino Pedrosa. As cachoeiras secam. E quando a fonte secar, ninguém vai patrocinar suas fake news.

Como diria Chico, ainda há quem te mande lembranças. Mas, Etelmino, mesmo esses poucos sugerem que você procure manter o pouco que lhe resta de dignidade. Não vá tropeçar e cair na lata do lixo por onde tem andado. Porque se isso acontecer, você será triturado. E amanhã não será outro dia qualquer.

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