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Estrutural

Dívida de R$ 400 mil teria motivado assassinato de capoeirista

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Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Divulgação

Cristiano Gomes da Silva, de 49 anos, preso no sábado (9) suspeito de matar o capoeirista Agnel Tavares Feliciano no Distrito Federal, também é investigado por crimes de violação sexual e estupro. A informação foi confirmada pelo delegado Marco Farah, da 2ª Delegacia de Polícia.

Segundo a investigação, Cristiano se dizia líder religioso e realizava supostos rituais de limpeza espiritual para abusar das vítimas. Os casos foram noticiados em 2022, quando mulheres procuraram a polícia e a imprensa para relatar os abusos.

Uma das vítimas, que teve a identidade preservada, contou em depoimento que, durante o atendimento, o homem pediu para que ela tirasse a roupa. Ela estranhou e disse que ficaria de saia. Em seguida, afirmou ter sido ameaçada.

“Ou eu fazia o último ritual ou ia morrer”, relatou a mulher. À época, em 2022, a defesa de Cristiano disse que ele era inocente e que apresentaria outra versão dos fatos. A defesa do suspeito é procurada para comentar o caso.

Outra mulher, que também não quis se identificar, afirmou ter sido abusada três vezes por Cristiano. Segundo ela, durante um ritual, ele pediu que tirasse o sutiã e o short, alegando que fazia parte do procedimento espiritual.

A vítima contou ainda que o suspeito exigiu um juramento para que ela não contasse sobre os abusos. Em um terceiro encontro, Cristiano teria dito que “entidades espirituais” ordenaram que os dois tivessem relações sexuais. “Me fez fazer as posições mais horríveis possíveis”, relatou.

Cristiano estava foragido e foi capturado durante operação da 2ª DP, no sábado (9). A prisão preventiva foi cumprida por suspeita de envolvimento na morte do capoeirista Agnel Tavares, conhecido como “mestre Neném”.

Durante o depoimento, o suspeito optou por permanecer em silêncio, informou a Polícia Civil. Ele segue preso preventivamente à disposição da Justiça. Os inquéritos por estupro e violação sexual tramitam separadamente do caso de homicídio.

O corpo de Agnel Tavares, de 61 anos, foi encontrado carbonizado dentro do próprio carro em 12 de janeiro, na entrada de um lixão na Estrutural, próximo ao Setor Santa Luzia e ao Parque Nacional de Brasília. Bombeiros foram acionados para conter as chamas.

Exame de DNA confirmou que se tratava do capoeirista e empresário. A perícia da Polícia Civil indicou que Agnel foi morto antes de o veículo ser incendiado. O caso é investigado como latrocínio — roubo seguido de morte.

De acordo com o delegado Marco Farah, Cristiano devia R$ 400 mil à vítima. “O que motivou [o crime] é que o autor devia e que essa quantia tinha sido cobrada de forma mais insistente pouco antes da prática do crime”, afirmou.

“Tem diversos elementos e provas de que o autor possuía dívida com a vítima, por volta de R$ 400 mil”, completou Farah. A cobrança teria se intensificado nos dias que antecederam o homicídio.

Vítima e suspeito frequentavam o mesmo meio social e ambos eram mestres de capoeira. O delegado destacou ainda a relação antiga entre as famílias. “A informação é que a vítima era amigo do pai do autor, uma relação de amizade de muitos anos”, disse.

À época do crime, a Associação de Capoeira Ave Branca divulgou nota de pesar. “Foi um exemplo de força, sabedoria e união”, escreveu a entidade ao lamentar a morte do mestre Neném, referência da capoeira no DF.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam para esclarecer todos os detalhes do homicídio e apurar se houve participação de outras pessoas. Os crimes sexuais atribuídos a Cristiano Gomes da Silva também seguem sob apuração.

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Leia a matéria abaixo:

*https://www.notibras.com/site/suspeito-de-envolvimento-em-morte-de-capoeirista-carbonizado-e-preso/

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