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Golpismo crônico

Do assassinato de JK ao 8 de janeiro

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@donairene13 - Foto de Arquivo

O mais recente relatório da Comissão Nacional de Mortos e Desaparecidos Políticos lança uma sombra ainda mais pesada sobre um dos episódios mais traumáticos da história brasileira: a morte de Juscelino Kubitschek. Cinquenta anos depois do crime, a conclusão de que JK foi assassinado pela Ditadura Militar reforça a percepção de que o Brasil jamais enfrentou plenamente os crimes cometidos durante o regime autoritário. O país atravessou a redemocratização sem responsabilizar de maneira efetiva muitos dos agentes envolvidos em perseguições, torturas, mortes e atentados contra a democracia.

Talvez por isso os fantasmas do golpismo nunca tenham realmente desaparecido da vida política nacional. O 8 de janeiro demonstrou que ainda existem grupos dispostos a romper a ordem democrática, desacreditar eleições e atacar instituições republicanas. Investigações apontaram inclusive planos violentos contra autoridades da República. E a história mostra que, quando tentativas de golpe não recebem respostas firmes e proporcionais à gravidade de seus atos, os golpistas não desaparecem; eles se reorganizam, aguardam novas circunstâncias e voltam a agir em outro momento.

Há uma conexão histórica inquietante entre a impunidade do passado e as ameaças do presente. O Brasil demorou décadas para reconhecer plenamente os crimes da Ditadura Militar e ainda hoje convive com setores que relativizam aquele período autoritário. Quando uma sociedade falha em estabelecer limites claros contra os ataques à democracia, transmite a mensagem de que rupturas institucionais podem, no futuro, voltar a ser toleradas. Talvez seja exatamente isso que esteja em disputa agora: a capacidade do país de finalmente compreender que democracia sem memória e sem responsabilização permanece vulnerável. A aprovação do PL da Dosimetria indica que novas tentativas virão.

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