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Dr João Luiz e as urnas

Do centro cirúrgico à tribuna para a Saúde sair da UTI e deixar de sangrar

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José Seabra - Foto Acervo Pessoal

Com o conhecimento adquirido há cinco décadas e eia de profissão, avalio que certas profissões não cabem apenas no diploma pendurado na parede. No campo da medicina, por exemplo, vejo médicos que clinicam, os que operam e alguns que receitam comprimidos. E existem aqueles raros personagens que carregam no corpo e na alma o peso e a responsabilidade de tentar costurar as feridas de um povo inteiro. O doutor João Luiz pertence a essa última categoria.

Tenho um coleguinha de profissão, desses que aparecem diariamente na telinha, que encerra o programa com um bordão otimista: “É só subindo”. Tomo-lhe a frase emprestada porque ela parece ter sido desenhada sob medida para definir a trajetória de quem fincou raízes profundas em Brasília de uma árvore genealógica brotada em Alagoas e decidiu trocar, ao menos parcialmente, o centro cirúrgico pelo áspero corredor da política.

E convenhamos que não é qualquer um que entra para Medicina na Universidade de Brasília aos 16 anos de idade. Enquanto muitos adolescentes ainda procuram rumo, João Luiz já estudava anatomia, desvendava o corpo humano e transformava noites em claro em degraus de uma carreira meteórica. Fez-se médico cedo. E fez-se grande depressa.

No universo da medicina, há homens que usam jaleco como fantasia. João Luiz, porém, usa como armadura.

Aos 25 anos já era cirurgião-geral. Aos 28, cirurgião-chefe do Hospital das Forças Armadas. Aos 29, assumiu a Secretaria de Saúde de Valparaíso, cidade que vive colada ao Distrito Federal como quem pede socorro permanente à capital da República. Depois vieram hospitais dirigidos, cargos estratégicos na saúde pública do Distrito Federal, a função de subsecretário e, posteriormente, secretário-adjunto de Saúde.

E não se trata apenas de currículo. Papel aceita tudo. Mas a verdadeira prova de um médico está no bisturi.

Ao longo de 33 anos de profissão, foram quase 20 mil procedimentos no campo da medicina. Uma vida inteira entrando em centros cirúrgicos enquanto famílias rezavam do lado de fora. Uma rotina de decisões tomadas em segundos, entre o limite da ciência e o sopro divino. E sem uma única advertência no Conselho Regional de Medicina. Num país onde até santos são apedrejados, isso não é detalhe, mas prova de testemunho.

Costumo dizer que certos cirurgiões operam com as mãos. Outros operam com a alma. João Luiz parece reunir as duas virtudes. Há nele algo daquele Asclépio da mitologia grega, o deus da cura, renascido das cinzas como Fênix moderna em meio ao caos da saúde pública brasileira.

E talvez seja exatamente por isso que um grupo de pacientes, amigos e profissionais das mais variadas áreas decidiram empurrá-lo para a política. Não nasceu de marqueteiro. Não saiu de laboratório eleitoral. Surgiu das ruas, das salas de espera, dos corredores hospitalares e da gratidão silenciosa de quem viu nele mais humanidade do que vaidade.

Sua pré-candidatura a deputado federal pelo Partido Social Democrático cresce como notícia espalhada pela internet. E quanto mais cresce, mais incomoda. A velha política tem alergia a quem chega sem pedir licença aos donos do balcão.

Vieram ataques. Virão outros. Mas João Luiz parece carregar a serenidade de quem já enfrentou batalhas maiores. Quem passou décadas olhando a morte nos olhos aprende rapidamente a relativizar fofocas, intrigas e tempestades artificiais das redes sociais.

O povo aprendeu a distinguir. E sabe que foi em sua passagem pela Secretaria de Saúde que o Distrito Federal ganhou unidades de pronto atendimento, centros de saúde e hospitais. Sabe também que a saúde pública brasiliense agoniza hoje numa UTI permanente, faltando de remédio a esparadrapo. E é justamente aí que o médico transforma-se em candidato. Porque João Luiz compreende que há horas em que receitar já não basta; é preciso intervir cirurgicamente no sistema.

Dias atrás, em seu consultório, enquanto avaliava meus exames, João Luiz olhou-me com aquela firmeza típica dos médicos experientes e decretou:

— O corpo humano envelhece como uma máquina. Precisa de ajustes aqui e ali.

Falou como quem descrevia não apenas um paciente, mas talvez o próprio sistema velho em desgastado em seus vícios, cansado em suas estruturas e necessitando urgente de mecânicos da esperança.

Sorri e respondi:

— Então amole o bisturi e reserve o centro cirúrgico. Com você no comando, nem de anestesista eu preciso.

Ele riu discretamente. Médico bom raramente exagera.

Hoje, seu nome dispara entre os pré-candidatos à Câmara dos Deputados. Talvez por isso tentem lhe lançar sombras. Mas certas nuvens passam rápido quando o currículo é iluminado por trabalho.

Tenho cá comigo que outubro poderá trazer surpresas interessantes. E imagino perfeitamente a cena de 2027. O plenário em silêncio. O presidente da Mesa Diretora anunciando solenemente:

— Com a palavra, o nobre deputado Doutor João Luiz.

E lá estará ele, sem trocar o jaleco pela vaidade, cobrando providências para uma saúde pública que sangra há décadas. Porque, para um verdadeiro médico, saúde sempre vem em primeiro lugar.

………….

José Seabra é CEO fundador de Notibras

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