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Saúde

Doença que atinge Claudinha tem sintomas desconhecidos

Foto/Divulgação
Camila Tuchlinski

A esclerose múltipla afeta 2,5 milhões de pessoas em todo o planeta, de acordo com informações da Organização Mundial da Saúde. Só no Brasil, 30 mil apresentam sintomas da doença. Claudia Rodrigues continua internada na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Ela foi transferida na noite de sábado, 23, da Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro, mas detalhes sobre o quadro de saúde não foram divulgados a pedido da família.

Não é de hoje que a atriz da Globo trava uma verdadeira luta contra os sintomas da esclerose múltipla. A doença foi diagnosticada em 2006 e ela acabou sendo afastada da TV para iniciar o tratamento. A amiga e empresária Adriane Bonato contou que, logo no início, a atriz apresentou sinais graves de depressão e tentou tirar a própria vida.

“Um dos principais sintomas da doença é o cansaço extremo. Ela ficava muito em casa e isso a fez entrar em depressão. Um dia, ela foi até o parapeito do 20º andar de seu prédio e ficou na beirada olhando para baixo, enquanto me ligava e me agradecia por tudo, se despedindo”, lembrou Adriane.

Outras atrizes relataram medo do preconceito em relação à doença e um certo boicote do mundo artístico contra os pacientes que têm esclerose múltipla, como Ana Beatriz Nogueira. Ela foi diagnosticada em 2009, quando vivia Ilana na novela Caminho das Índias, da TV Globo.

“O segredo é pesado. A gente vai digerindo, entendendo e resolvendo os fantasminhas. Minha decisão de falar foi motivada por amigos, por terapia e pelo desejo de tornar essa estrada mais fácil para quem tiver que passar por ela. Não estou doente, tenho uma doença. Gosto de ver a esclerose múltipla como uma característica”, concluiu.

Para a especialista em Neurologia Cynthia Perocco Buske, do Hospital Beneficencia Portuguesa, a esclerose múltipla é uma doença carregada de estigmas. “Artistas como a Claudia Rodrigues e Ana Beatriz Nogueira ajudam muito a desmistificar. Toda vez que elas falam abertamente sobre esta doença, tornam o preconceito menor e a estrada mais fácil para todos aqueles que precisam passar por ela”, afirma.

O que é a esclerose múltipla?
Os sintomas iniciais da esclerose múltipla são perda dos movimentos e da sensibilidade, comprometimento do equilíbrio, da memória e da cognição, distúrbio de linguagem, fraqueza e cansaço crônico, disfunção sexual, visão dupla, problemas urinários, surtos e convulsões. “A esclerose múltipla é uma doença autoimune desmielinizante inflamatória, ou seja, causa danos à mielina (bainha que reveste os neurônios), e ainda não possui causa específica conhecida”, esclarece o médico Marcelo Caldeira, do Centro de Infusões e Terapias do Grupo Oncoclínicas, no Rio de Janeiro.

Tratamento da esclerose múltipla
A esclerose múltipla não tem cura ainda. Porém, os pesquisadores não param. Em 2016, dez anos após o diagnóstico, a atriz Claudia Rodrigues chegou a realizar um transplante de células-tronco. “Hoje me sinto ótima, menos cansada. Acordo cedo todos os dias e caminho quatro quilômetros no calçadão. Agora já faço em 45 minutos o mesmo percurso que eu fazia em quase duas horas. Daqui a pouco vou estar correndo”, planejou Claudia Rodrigues na ocasião. Além do transplante de células-tronco, existe uma série de tratamentos voltados para a qualidade de vida do paciente. “Os principais tratamentos são com imunomoduladores, medicações injetáveis que com treinamento e orientação adequados até o paciente pode se aplicar”, informa a neurologista Cynthia Perocco Buske.

Expectativa de vida
Assim como ainda não existe cura para a esclerose múltipla, é impossível traçar o tempo de vida do paciente. “Não existe uma expectativa de vida visto que, após o diagnóstico, com acompanhamento adequado, a pessoa pode viver até os cem anos”, diz Cynthia Perocco Buske. Mais importante é buscar a qualidade de vida dos pacientes com esclerose múltipla. Para isso, o médico Marcelo Caldeira enfatiza que terapias complementares podem minimizar os sintomas: “Ioga, acupuntura, terapia ocupacional, hidroterapia, além de sessões de psicologia, fisioterapia, fonoaudiologia e reabilitação profissional. Esse conjunto de medidas eleva significativamente a qualidade de vida do paciente, favorecendo, ainda, aspectos sociais, emocionais e psicológicos”.

Como a família do paciente deve agir?
Quando se recebe o diagnóstico de esclerose múltipla, muitos pacientes ficam inseguros e com medo do que pode acontecer no futuro: perda do emprego, da identidade, das relações humanas. É por isso que a atuação dos amigos e parentes é fundamental. “A família é peça chave na aceitação da doença, apoio do paciente, manejo da doença. A família normalmente sofre junto, precisa de muito acolhimento também”, avalia a neurologista Cynthia Perocco Buske.

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