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As Três Desgraças

Eleger um blefe é próprio de quem vive blefando

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Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto de Arquivo/ABr

Anunciar, afirmar ou avaliar o republicano Donald Trump como político, mandatário ou chefe de Estado é um blefe maior do que o próprio blefe chamado Donald Trump. Aliás, como ocorre nas novelas mexicanas reprisadas pelo canal Viva, esses tipos acabam formando estereótipos abobalhados, os quais naturalmente viram modismos do dia para a noite. As Américas estão cheias deles, com destaque para o Brasil do clã Bolsonaro e para a Argentina de Javier Milei. Provavelmente foram eles os responsáveis pela inspiração do dramaturgo Aguinaldo Silva, autor da novela global As Três Desgraças.

Daí para o trio governar em benefício do seu povo vai uma distância imensurável. Às vezes, nunca alcançada. Além de blá blá blás e retóricas intermináveis, é muita demagogia e a ausência quase absoluta de posicionamentos corretos e capazes de alcançar objetivos coletivos. Os pessoais e os que satisfazem o ego são sempre prioridade. Ou seja, é mimimi demais de gente que não é exemplo de nada. Eu tenho muita preguiça e nenhuma paciência para gente imatura em uma idade que já não é mais aceitável ser tão infantil.

Resumindo, gente velha com atitudes de criança dá um ranço tão grande. Donald Trump é um blefe, mas foi eleito para um novo mandato e, entre idas e vindas, sabiamente desgoverna a maior economia do mundo há muitos anos. Se faz todo esse tempo que ele habita a Casa Branca, me parece lógico dizer que o eleitorado de lá é um blefe ainda maior. Tudo a ver com o de cá. Parte significativa dos brasileiros teve coragem de eleger um político antigo, mas totalmente neófito em matéria administrativa, isto é, um blefe.

O resultado foi aquele que quase todos viram, menos, obviamente, os que passam a vida blefando. Caso não haja reação, blefarão novamente. O Aurélio ensina que blefar é a arma que o covarde usa para esconder seu desespero, e humilhar pessoas é a maneira que ele usa para descontar no mundo suas ridículas frustrações e seus ridículos fracassos. Alguma dúvida sobre os protagonistas desta narrativa? Se alguém tiver, eu desenho algumas justificativas.

Sou leigo em assuntos de psiquiatria, mas tudo indica que, das citadas “graças”, a principal delas, o presidente Donald Trump blefa impulsiva e compulsivamente. Aliás, na ausência do que fazer, dizer e propor, ele usa o blefe da loucura como jogo diplomático para dissuadir inimigos. Foi assim no discurso de “posse” do Panamá, do Canadá e da Groenlândia, na imposição de tarifas comerciais e tem sido nos devaneios vitoriosos sobre o Irã. Ele até pode vencer os aiatolás, mas jamais acabará com o poderio bélico que os iranianos espalharam pelo Ocidente.

Baseado na imprevisibilidade do líder, o blefe, além de diplomaticamente poderoso, é comumente utilizado para influenciar mentalmente o interlocutor, principalmente o adversário ou inimigo. Geralmente as armas são as metáforas de jogos e as ameaças de força militar e econômica. Como não há mal que dure para sempre, o melhor meio para ser enganado é se considerar mais esperto do que os outros. Se vivo fosse, o poeta e filósofo alemão Friedrich Nietzsche colocaria Trump no colo e lhe diria que a principal mentira é a que contamos a nós mesmos. Bolsonaro e Milei seriam as testemunhas.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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