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Tudo pelo poder

Eleitor deve evitar farsa para Brasil escapar de conservadorismo venal

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Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto de Arquivo/ABr

Triste do povo que precisa eleger deputados, senadores e presidentes que pensam e jogam sujo como ele. Vem daí a fidelidade eleitoral, hoje rebatizada de fanatismo ou de bolsonarismo. Entre a obscenidade política, as facilidades administrativas, as vantagens da tietagem e a divisão do bolo econômico, o que sobra, além de um filme perdulário, de amizades duvidosas, mas rentáveis, e de uma família enlouquecida pelo poder, é continuar imaginando que ainda tem brasileiro que não vê o que todo o mundo já viu.

O momento político do Brasil permite que qualquer um com um mínimo de inteligência consiga afirmar que ninguém é suficientemente competente para governar outra pessoa sem o seu consentimento. Os da direita não querem o da esquerda, porque esse representa o povão que incomoda quando pensa. Já os da esquerda não admitem os da direita, particularmente os da extrema-direita, porque, sem exceção, todos esses só pensam no próprio umbigo. São as dez graças.

No dicionário deles, a política é a condução dos negócios públicos para proveito de particulares. Em outras palavras, é somente o poder pelo poder e para o poder. O povo que se dane. Fã incondicional dos ensinamentos do Abraham Lincoln, o 16º. presidente dos Estados Unidos, meu ideal é, foi e sempre será a democracia, algo como um governo do povo, pelo povo e para o povo. Portanto, se queremos progredir temos de trabalhar por novas e libertárias histórias.

Repetir o período em que a política se resumia à arte da dominação é desconstruir o que construímos desde a redemocratização. Votar naqueles que claramente propuseram o golpismo significa esquecer que os direitos conquistados hoje são frutos das lutas de ontem. Lutar é um dever político. Por isso, repetindo o grito do norte-americano Martin Luther King, devemos repetir à exaustão que a liberdade jamais é dada pelo opressor. Ela tem de ser conquistada pelos oprimidos.

Eis a principal razão para que, novamente lembrando do líder negro, permaneçamos atentos às ações e aos gritos das pessoas más, sem atentar diuturnamente para a indiferença e o silêncio das pessoas boas. A atenção dos que prezam e trabalham pela democracia tem de ser redobrada, pois uma pequena falha ou omissão pode ser suficiente para que os dominadores tentem calar as urnas e a voz do povo. Quem não se lembra dos horrores produzidos por aquele presidente que, em lugar de governar, preferiu cultuar o ego?

Optar pelo retorno do período em que a máquina esteve prioritariamente voltada para investimentos em campanhas de eternização da figura de um mandatário é reinvestir em um santo indicado por Deus para substituir o mito que queria ser papa. Para o bem do país, o povo saberá dizer não ao descendente da inércia, da inépcia, da incapacidade, do golpismo e da má gestão. Querem um novo monstro? De mulher para mulher, eu não, porque faz tempo que sei que qualquer um da família tem desculpa para se livrar de qualquer coisa… menos do poder.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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