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Mentira eleitoral

Entre “Deus e o Diabo”, aposta maior é em quem não é feio como pintam

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Autor/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto de Arquivo/Valter Campanato

Estado considerado laico pela Constituição, isto é, sem religião oficial, o Brasil dos 213,4 milhões de brasileiros, deveria proibir todos os milhares de candidatos a cargos eletivos se apresentarem como integrante de nenhuma distinção religiosa. Sou CLT, torcedor da Seleção Brasileira, com sentimento anti-EUA, brazuca por escolha espiritual e, por conseguinte, a favor da ampla diversidade e da liberdade de crença de todos os cidadãos, notadamente os que votarão em 3 de outubro para presidente da República.

Tudo isso para dizer que é inaceitável o senador Flávio Bolsonaro, também conhecido por 01, o homem que inventou o Dark Horse, afirmar que a disputa eleitoral deste ano será entre “Deus contra o Diabo”. Sei que ele não sabe o que diz, muito menos o que faz, mas, antes de qualquer coisa, é preciso que o representante da direita patriarcal e conservadora nos explique quem é quem. Afinal, para os eleitores progressistas, Deus, como Ser superior, está muito acima da luta partidária.

Além disso, como Homem do bem, da paz e do amor, Deus não mente, tem pena de quem mente, não dá meia benção, não faz meio milagre, não entrega meia promessa e não acha bonito que um de seus filhos morra por omissão de um presidente eleito democraticamente. Na Bíblia dos católicos, evangélicos, kardecistas, umbandistas, islamitas e demais istas está escrito que tudo que Deus faz é perfeito e bom o tempo inteiro. Portanto, o que for diferente disso é propaganda enganosa, algo como embuste pagão mentira eleitoral.

No contexto político brasileiro, podemos dizer que esse tipo de afirmação do candidato bolsonarista é uma mentira eleitoral, expressão que abrange desde promessas falsas de campanha até o uso de notícias inventadas. Como a mentira política serve apenas aos mentirosos, não é demais repetir a tese do finado jornalista, humorista e desenhista Millôr Fernandes, para quem o perigo de uma meia verdade é o candidato dizer exatamente a metade que é mentira.

Em outras palavras, a oração “Deus contra o Diabo” é a revelação bíblica de que o tempo desmascara as aparências, revela a mentira e expõe o caráter. Queiram ou não, a frase que está queimando como batata assada as mãos daqueles que, em vão, usam a palavra de Deus é “Irmão, estou e estarei sempre contigo”. Ipsis litteris, a locução se refere à conversa de 01 com o banqueiro Daniel Vorcaro por ocasião de um robusto pedido de dinheiro sujo para financiar o filme de um Deus vencido pelo Diabo.

O tal pedido acabou na mídia esculachada como O Áudio da Compadecida. Heresias, dogmas, dobermans e dálmatas à parte, enganação e mentiras (notadamente as religiosas) têm prazo de validade. No fim, tudo se revela. Paralelamente, a confiança morre para sempre. Por trás das câmeras, a Verdade Chinesa é uma só: Deus e o Diabo existem dentro de nós. Nem tudo que é bom vem de Deus e nem tudo que é ruim vem do Diabo. Um e outro dependem de nossas escolhas e consequências. Deus é realmente maravilhoso. Quanto ao Diabo, Ele não é tão feio como pintam. Lula e Neymar Júnior que o digam.

Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras

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