Álvaro Dias e a política do RN
Entre o PL e o diálogo com a esquerda
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A política regional tem sutilezas que, às vezes, escapam ao olhar apressado de quem só acompanha o cenário nacional. De longe, tudo parece organizado em blocos ideológicos bem definidos, quase como um jogo de cores: direita de um lado, esquerda de outro. Mas, quando se desce ao nível dos estados, por exemplo em lugares como o Rio Grande do Norte, a lógica é outra. Ali, alianças são costuradas mais por sobrevivência política, influência local e relações históricas do que por fidelidade cega a um campo ideológico.
O caso de Álvaro Dias ilustra bem essa complexidade. Recentemente, ele afirmou não assumir o bolsonarismo, embora esteja filiado ao Partido Liberal, legenda que tem Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência e que, inclusive, há poucos dias dividiu palanque com o próprio Álvaro. Ao mesmo tempo, o partido no estado é comandado por Rogério Marinho, que abriu mão de disputar o governo local. Como se não bastasse, Álvaro mantém histórico de elogios a Lula e ótima interlocução com a governadora petista Fátima Bezerra. Para quem observa de fora, soa como contradição; para quem vive a política potiguar, é quase método.
A política, sobretudo nos estados, ainda é movida por pragmatismo, por redes de apoio e pela necessidade de dialogar com diferentes públicos. Ideologia conta, claro, mas não reina absoluta. No Rio Grande do Norte, como em tantos outros lugares, vencer eleição exige leitura fina do território.