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Brasília

Escola deve rejeitar ideologia e ter debates verticais

Foto/Arquivo Notibras
Adailton Braga

Estamos presenciando uma acirrada discussão sobre o melhor caminho a ser trilhado pela Educação brasileira. Essa discussão tem sido acalorada e conflituosa, levando-me ao desejo de contribuir com uma reflexão sobre essa fundamental e necessária discussão, pois também faço parte dela.

Vamos ao desafio: sendo que os seres humanos por essência, se regem por cultura, em vez de por instintos, como os outros animais, valem profundas reflexões e perguntas: como se dissemina a cultura entre os seres humanos, como ela se transmite de uma geração a outra?Todos diriam que pela Educação. Disso parece não haver dúvidas.

Mas é preciso, já de início, entender que todo o contato humano é educativo, não apenas o desenvolvido na escola como instituição, mas em toda interação que ocorre no ambiente social. O alicerce da Educação é amplo, e permeia toda a ação realizada na dinâmica humana do conjunto da sociedade. Logo se compreende que a Educação Escolar exige uma compreensão mais ampla, pois não se restringe apenas aos espaços, prédios escolares e seus profissionais.

Mas é certo que em todas as suas formas deve promover o bem, a integração do educando, que precisa ser todos os membros da sociedade onde vive a sua vida junto com outros, consigo mesmos, ao meio, bem como qualificar todos para o exercício amplo da cidadania. Educação tem que ser educativa no sentido amplo, sendo todos responsáveis. Esse processo, no nosso tempo educativo social amplo brasileiro, tem sido deseducativo, se dele tem resultado a desintegração, a degeneração, a fragilidade social e da cultura à olhos vistos, essa é a questão.

A Educação, pois, é o fenômeno da disseminação da cultura, sempre com melhor qualidade, entre a mesma geração, e da transmissão dessa cultura, vivenciada e vivida, reavaliada, enriquecida, refletida, contextualizada a outra geração, no convívio interativo e constante no seio da sociedade, o que não tem ocorrido na nossa sociedade na medida necessária.

Como os fenômenos sociais vivenciados não são repetitivos, e jamais podem ser, senão se tornam alienativos, a geração que recebe a cultura dos ancestrais, não a recebe exatamente como lhe é transmitida. Há variações, adaptações e mudanças neste recebimento, disto resultando o conflito entre as gerações, dada as nuances de cada tempo. Logo, este conflito é um bem se dele nascer o progresso que traz qualidade de vida e prosperidade no sentido amplo, e um mal, se dele decorrer a decadência, a degeneração, e a fragilidade do conjunto da cultura, como tem ocorrido na nossa cultura.

Os conflitos não são em si, nem um bem nem um mal; eles são a consequência, o efeito, de o fenômeno da educação, como humano que é, não ser repetitivo, mas sim ser parte dos conflitos e contradições do seu próprio tempo, e por acúmulo da soma de todos os tempos. Suponhamos que fosse repetitivo, por instinto, não apresentaria variações, nem mudanças, nem progresso, com o que não teríamos saído do tempo primitivo. Aqui cabe um adendo: É necessário que a Educação no sentido amplo, caminhe na direção de uma evolução vertical na conduta social para que a prosperidade seja acompanhada de qualidade.

Então, a variação que produz o conflito é um bem? Entendo que é sempre um bem, se levar à reflexão necessária. Saliento que essa reflexão não tem ocorrido de forma educativa no sentido vertical no nosso país, carecendo de princípios e valores, que conforme disse Albert Einstein, são universais e esteio, pois temos passado de um problema para outro de forma horizontal, praticamente sem nenhum aprendizado educativo social.

Assim, quando se considera que o nosso nível de civilização tem decaído, isto ocorre também por causa das variações, conflitos e contradições ocorridas no conjunto da sociedade, não apenas na Escola como instituição, e não germinam na Escola como instituição. A Escola é apenas parte do conjunto, e não é a fonte das soluções, nem das mazelas, como se diz. As mazelas estão mescladas na cultura, também produzidas pelo tempo, atingindo à todos. E conforme Freud, se há ambiente propício despertam dos recantos do inconsciente individual e coletivo, trazendo as barbáries reprimidas à tona.

E convenhamos, nossa cultura carece de profunda reavaliação e contextualização qualitativa no que tange a prática política, que carece de bom senso formativo e educativo, e de manejo equânime do poder no seu conjunto, pois dela tem nascido e germinado o embrutecimento, a decadência e o caos social, fruto sim, das injustiças sociais que têm perdurado no tempo histórico, em regra produzidas e reproduzidas pela ação política egótica desenvolvida pelo conjunto do Estado, e das quais sofremos o efeito nefasto, e estamos vendo hoje disseminadas em todas as áreas e espaços da sociedade.

Não cabe saco de justificativas e dedo em riste, como temos visto e é comum. Cabe ação reta, justa e equânime no presente. Claro que na Educação, em todas suas formas, não cabe direcionamento ideológico, nem dirigismos, mas ela mescla sim, e é seu fundamento, todos os debates, desde que sempre verticais.

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