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Mundo

‘Esquerda não é fascista. Nós, os fascistas, somos a ultra-direita’

Mussolini e Hitler, na década de 40. Foto/Reprodução
Bartô Granja

O bisneto do primeiro-ministro fascista da Itália, Benito Mussolini, está concorrendo nas eleições parlamentares do mês que vem, como membro do partido de oposição nacional-conservador italiano, Brothers of Italy (BDI), que é mais popular nas regiões do sul da Itália.

Em uma entrevista neste domingo, 14, Caio Giulio Cesare Mussolini, de 51 anos, colocou os pontos nos ‘ii’. Disse estar “orgulhoso” de seu sobrenome, apesar de ser “um fardo” para ele, e negou que sua campanha tenha sido inspirada por alguma nostalgia fascista.

Depois arrematou dizendo que a esquerda ‘tem medo de nós’ (os fascistas), deixando claro, assim, que o fascismo é uma ideologia política de ultra-direita. Cesare observou que, para votar, seus compatriotas teriam que escrever seu sobrenome, como é exigido pela lei eleitoral.

As afirmações deixaram a direita brasileira tonta. Principalmente o chanceler Ernesto Araújo, que costuma dizer que os fascistas-esquerdistas são a mesma corrente e que têm medo do liberalismo do governo Jair Bolsonaro.

“[#WriteMussolini] parece-me um slogan muito normal”, disse ele, rejeitando paralelos entre Mussolini, chefe do governo italiano de 1922 a 1943, e Hitler. Ele se referiu aos dois, argumentando que estes são “Duas pessoas diferentes, dois países diferentes, duas histórias diferentes”.

No início deste mês, os dois partidos de direita da Itália, Casa Pound e Forza Nuova, participaram de protestos em Torre Maura, um antigo distrito de Roma, bloqueando a transferência de 70 pessoas da minoria cigana em um centro de recepção local. Segundo Mussolini, compreender tais incidentes como um indicador de novo fascismo “é um exagero de propaganda da esquerda, que não tem outros argumentos”.

Ele prosseguiu dizendo que em algumas áreas “há muito medo” dos ciganos e que esse sentimento “deve ser entendido, não demonizado”. Abordando a questão mais ampla da migração, Mussolini ressaltou que “na Itália, como na Alemanha”, os migrantes tendem a explicar as estatísticas preocupantes do crime, também sendo super-representados em dados sobre presos.

“São estatísticas. O que não pode ser contestado”, afirmou Mussolini.

O candidato do BDI, cujo primeiro nome é o do primeiro imperador do Império Romano, era um oficial da Marinha no passado, bem como um representante do Oriente Médio para a Finmeccanica, uma empresa de defesa italiana que hoje é conhecida como Leonardo.

Ele se retrata como um “patriota” e admitiu que admirava os políticos que perseguiam os objetivos de seus países, como o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, “mas também” a chanceler alemã, Angela Merkel. Para ganhar uma cadeira nas eleições de 26 de maio, ele precisará não apenas de um número suficiente de votos pessoais, mas também de que seu partido supere o limite nacional de 4%.

Se eleito, ele seria o segundo Mussolini a representar a Itália, onde uma das principais figuras políticas é atualmente o vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, de direita, na Assembléia da UE, depois de sua prima Alessandra. Outro membro de sua família, Rachele, é vereadora em Roma.

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