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Mundo

Facebook fecha olhos ao racismo e perde anúncios

Carolina Paiva, Edição

O discurso de ódio que vem sendo publicado nas redes sociais sem a devida punição – como retirada de textos e imagens, por exemplo – rendeu em apenas 72 horas um prejuízo de 56 bilhões de dólares ao grupo Facebook, que tem, além da sua principal plataforma de interação social, o Instagram e o Twitter. Como consequência desse ‘fechar de olhos’, multinacionais estão cortando verba publicitária destinada ao conglomerado criado por Mark Zuckerberg.

Entre os principais ex-anunciantes estão a Unilever e a Coca-Cola. A Unilever, dona de muitas marcas de produtos domésticos como o sabonete Dove, a maionese Hellmann’s e o chá Lipton, soma-se a uma lista crescente de companhias que estão boicotando o Facebook por períodos de tempo variados. Além da Coca-Cola também há boicote por parte da Verizon Communications, Patagonia, VF Corp., Eddie Bauer e Recreational Equipment.

A medida é um marco importante na escalada de esforços dos anunciantes para que as companhias tecnológicas adotem mudanças em relação ao conteúdo publicado nas redes. A iniciativa quer que sejam feitos mais esforços para impedir o discurso de ódio. “Com base na atual polarização e na eleição que teremos nos EUA, precisa haver muito mais fiscalização na área do discurso de ódio”, disse Luis Di Como, vice-presidente executivo de mídia global da Unilever.

A Coca-Cola foi mais longe que a maioria dos anunciantes, e afirmou que vai suspender os gastos de publicidade em todas as plataformas de redes sociais por pelo menos 30 dias –incluindo Facebook, Instagram, Twitter, YouTube e Snap. “Não há lugar para racismo no mundo, e não há lugar para racismo nas redes sociais”, disse o executivo-chefe da Coca-Cola, James Quincey, em um comunicado.

Como resposta à pressão dos anunciantes, o Facebook decidiu marcar postagens com discurso político que violem suas regras e tomará outras medidas para evitar a repressão a eleitores e proteger minorias contra abusos. A preocupação do Facebook com o boicote de grandes marcas às redes sociais não é à toa. A publicidade faz parte de quase toda a receita da companhia.

No primeiro trimestre deste ano, o faturamento total da empresa fechou em US$ 17,7 bilhões (R$ 96,9 bilhões), dos quais 98% ou US$ 17,4 bilhões (R$ 95,3 bilhões) vieram da publicidade, de acordo com o relatório divulgado a investidores. O Facebook, no entanto, declarou que não toma decisões políticas por causa da pressão das receitas, e um porta-voz disse que as mudanças são uma decorrência do compromisso feito por Zuckerberg de se preparar para as próximas eleições.

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