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Bahia

“Farmácias vivas”, quintais medicinais ganham força

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Autor/Imagem:
Júlia Severo - Texto e Foto

Em comunidades rurais do interior da Bahia, um costume antigo vem se fortalecendo diante dos desafios de acesso à saúde: os quintais medicinais, também conhecidos como “farmácias vivas”. Nesses espaços, moradores cultivam plantas com propriedades terapêuticas e mantêm práticas tradicionais de cuidado que atravessam gerações.

Em cidades do semiárido, é comum encontrar hortas repletas de ervas como boldo, hortelã, erva-cidreira e mastruz. Essas plantas são utilizadas no preparo de chás, xaropes e infusões caseiras, principalmente para tratar problemas simples, como dores, gripe e má digestão.

A prática, que sempre fez parte da cultura popular, ganhou novo impulso nos últimos anos. A dificuldade de acesso a serviços de saúde em áreas mais isoladas, somada ao aumento no custo de medicamentos, levou muitas famílias a resgatarem esses conhecimentos tradicionais.

Além do uso doméstico, algumas comunidades têm organizado iniciativas coletivas para sistematizar e compartilhar esse saber. Grupos de moradores e agentes de saúde promovem oficinas sobre cultivo e uso seguro das plantas, unindo conhecimento popular e orientação técnica.

Especialistas ressaltam que, embora muitas dessas plantas tenham propriedades comprovadas, o uso deve ser feito com cuidado. A automedicação, mesmo com produtos naturais, pode trazer riscos se não houver orientação adequada, especialmente em casos mais graves.

Ainda assim, os quintais medicinais representam mais do que uma alternativa de tratamento. Eles reforçam a autonomia das comunidades, preservam a cultura local e promovem uma relação mais próxima com a natureza.

Entre folhas, raízes e saberes antigos, as “farmácias vivas” mostram que, em meio às dificuldades, o interior da Bahia encontra soluções dentro do próprio quintal — cultivando saúde a partir da tradição.

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