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Saúde

Fechar-se para o mundo não é crise, é saída

Luciana Kotaka

Muitas vezes a história de vida de alguém pode ser recheada de dor e tristezas, experiências que têm a capacidade de levar a um fechamento do coração, um recolhimento para dentro de si mesmo, por medo de reviver as dores do passado. Os traumas têm a capacidade de desenvolver mecanismos de proteção, que em um primeiro momento pode ser um alívio, mas a longo prazo leva a uma série de prejuízos.

Recentemente tive a oportunidade de conhecer uma pessoa maravilhosa, enxerguei tanto potencial de amor, mas estava fechada para se relacionar, não conseguia expressar o que passava dentro de si mesmo nem para os seus familiares. O que mais me surpreendeu foi a coragem dela que estava gritando por cura.

São poucas as pessoas que buscam ajuda, a grande maioria não quer olhar para a dor, não quer reviver cenas que o fizeram impotentes, geraram raiva, medo, desespero e até pensamentos suicidas. É mais fácil ignorar, fazer de conta que essa história não te pertence.

Vão seguindo a vida, muitas vezes deprimidos, apagados, sem expressarem o que sentem, outras vezes minando as relações, destruindo filhos, parceiros e amizades. É como se fosse um vulcão adormecido, que está sempre em risco de explodir. Um mau humor em relação à vida, carregam esse peso diariamente, só pensam em sobreviver e não viver.

A vida se torna um perigo constante, tudo é ameaçador. Na grande maioria das vezes se relaciona friamente, mesmo que por dentro sinta uma grande vontade de se expressar carinhosamente. A agressividade também pode se manifestar, pois vivem na defensiva, chegando até a se afastar ou repelir as pessoas para sentirem-se protegidas.

Nem sempre se tem consciência desses comportamentos, e se tem, na maioria das vezes decidem permanecer fechados tentando equilibrar o que sente, com a demanda que o mundo lhe traz.

Cada pessoa precisa ser respeitada em suas escolhas, pois a dor é solitária, deixa marcas na alma, muitas delas irreparáveis. Se você se recolhe na dor lembre-se de que há outro caminho, pode ser difícil, mas pode ser tratada. Deixar à dor na flor da pele pode ser mais doloroso do que confrontá-la, pois está ali pulsando o tempo todo. Quando se permite olhar para essas dores, você se dá a oportunidade da cura, de poder se livrar de todo o mal que ela causou. As feridas estarão sempre lá, mas a dor, essa pode ser amenizada, permita-se.

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