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Vestindo o jaleco

Festa de quem ama latidos, miaus, cantos e a vida

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Autor/Imagem:
José Seabra - Foto Acervo Pessoal

A noite da sexta-feira, 15, no palco do teatro da Universidade Católica de Brasília, não registrou apenas uma cerimônia; o que se viu foi um rito de passagem. Entre aplausos, fotografias emocionadas e olhos marejados de pais, mães, irmãos, avós e amigos, os alunos do Centro Acadêmico de Medicina Veterinária transformaram a entrega do jaleco em algo maior do que um simples evento acadêmico. Simplesmente fizeram do encontro uma celebração da esperança.

O branco dos jalecos parecia iluminar o ambiente como pequenas tochas acesas em defesa da vida. Cada tecido colocado sobre os ombros carregava um peso invisível representado pelo compromisso com o cuidado, a ciência e a compaixão. Porque a Medicina Veterinária não se resume a diagnósticos, cirurgias ou prescrições, já que nasce, sobretudo, da capacidade humana de proteger criaturas que não falam a nossa língua, mas compreendem perfeitamente o idioma do carinho.

Foi fácil observar algo de sagrado naquele instante. O jaleco, para muitos, pode parecer apenas uniforme. Para aqueles jovens, porém, simbolizava honra, responsabilidade e vocação, como se cada botão fechado anunciasse ao mundo que eles estão chegando prontos para servir.

É justamente aí que está a beleza da Medicina Veterinária. Enquanto tantas profissões disputam poder, prestígio ou cifras, o veterinário escolhe a missão silenciosa de aliviar a dor de quem não sabe pedir socorro com palavras. Cuida do cão abandonado, do gato ferido, do cavalo cansado, do pássaro machucado. E cuida também das famílias, porque quem salva um animal muitas vezes salva junto um pedaço do coração humano.

Os estudantes entenderam isso cedo, fazendo da solenidade uma festa luminosa, organizada com entusiasmo e afeto. Não era apenas uma confraternização universitária, mas o anúncio de uma geração que chega transpirando sensibilidade num mundo cada vez mais áspero.

Ao final da cerimônia, quando os flashes diminuíram e os abraços se multiplicaram pelos corredores, permaneceu no ar a bonita sensação de que o futuro ainda pode ser gentil. E enquanto existirem jovens dispostos a vestir um jaleco não por vaidade, mas por amor à vida em todas as suas formas, haverá motivos suficientes para acreditar nisso.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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