Procura-se um legado
Flávio Bolsonaro aposta no afeto para preencher vazio político
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Na tentativa de se viabilizar eleitoralmente, Flávio Bolsonaro aposta em uma estratégia já bastante conhecida no marketing político: humanizar a imagem. Mostrar os bastidores, exibir momentos familiares, registrar abraços nas filhas antes de compromissos públicos. Tudo isso buscando criar identificação emocional com o eleitor. É um movimento calculado, que tenta suavizar a figura pública e aproximá-la do cotidiano das pessoas comuns. Em tempos de redes sociais, essa fórmula costuma gerar engajamento e pode render dividendos políticos.
O problema, no entanto, é que nem toda construção de imagem resiste ao confronto com a realidade dos fatos. E é justamente aí que reside o principal desafio da pré-campanha. Por mais bem produzidos que sejam os vídeos e as fotos, há um vazio difícil de disfarçar: a ausência de feitos políticos relevantes. Sua atuação no Senado é frequentemente percebida como discreta, sem protagonismo ou entregas significativas que possam ser apresentadas como legado. Marketing algum consegue substituir, de forma consistente, a falta de conteúdo político concreto.
A narrativa construída em torno da candidatura esbarra em uma percepção bastante difundida: a de que Flávio Bolsonaro é, antes de tudo, herdeiro de um capital político familiar e só é candidato por ser filho de Jair. Sua projeção nacional está diretamente ligada ao sobrenome que carrega. Isso não é, por si só, um impeditivo eleitoral, mas impõe um desafio adicional. Em algum momento, será necessário ir além do legado herdado e demonstrar capacidade própria.