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Genial

Flávio cai com próprio veneno sobre um Supremo que vive apagado

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Jr - Foto de Arquivo

Duas pesquisas divulgadas esta semana movimentaram o cenário político do País. Na primeira, os dados da Atlas/Bloomberg revelam que o senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) caiu 6 pontos na preferência do eleitorado e perderia para o presidente Luiz Inácio no segundo turno. Mais interessante, a consulta da Genial/Quaest informa que 55% dos brasileiros não confiam mais no Supremo Tribunal Federal, maior índice desde a medição de 2023, época do rebuliço golpista da Praça dos Três Poderes.

Embora relevantes, as duas não representam nenhuma novidade para o distinto público menos desinteligente. Flávio Bolsonaro, o filho 01, não caiu porque ele não havia crescido coisa alguma. Por força das maracutaias do Congresso bolsonarista e antidemocrata, foi Lula quem deixou de subir. Portanto, agora provando do próprio veneno, como um balão apagado, o candidato da direita e da extrema-direita começa a ser recolocado em seu lugar de origem, isto é, na rabeira.

Assim é a política do Brasil. Quem sobe à custa de malandragens, desce empurrado pelos que de besta só têm a cara. É aquela história de quem nunca será majestade porque jamais foi rei. Do tipo malandro agulha, Flávio Bolsonaro desce ladeira abaixo por duas razões óbvias: falta de humildade e excesso de confiança contra um adversário que só não foi papa por conta da ausência de uma lista tríplice da Igreja Católica. Para os beatos, se Edir Macedo e Silas Mala Cheia podem, por que Lula não?

Sobre o Supremo Tribunal, foi-se o tempo em que os 11 ministros falavam e faziam apenas o que podiam. Saudades dos tempos de Carlos Mário da Silva Velloso, José Paulo Sepúlveda Pertence, Ellen Gracie, Nelson de Azevedo Jobim, Celso de Mello, Sydney Sanches, Néri da Silveira, Francisco Rezek e Paulo Brossard, todos políticos de carteirinha, mas, antes de qualquer coisa, magistrado com a convicção registrada em cartório. Era a tal da atuação exclusivamente dentro das quatro linhas constitucionais.

Nesse período, o Supremo recebia grau dez. Considerando que quem fala demais dá bom dia a cavalo, a desconfiança nada tem de anormal. Além disso, o escândalo do Banco Master encurtou a falácia e desnudou a recorrente empáfia de alguns dos representantes da mais alta Corte do Poder Judiciário. Os reis ainda não estão nus, mas a estátua da Justiça em frente ao Palácio do STF deve ter ficado cega de vez diante dos últimos acontecimentos envolvendo as excelências de toga.

O mais sério deles foi a denúncia de que ministros do STF, particularmente Alexandre de Moraes, teriam participado do texto final da Lei da Dosimetria, que reduz a pena dos condenados pela selvageria da Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, inclusive do ex-presidente Jair Bolsonaro. A notícia ainda não foi questionada por ninguém do Supremo. Lembro de ter dito neste mesmo espaço que, a se confirmar a informação, a perda de credibilidade será total. Nesse caso, mantenho a sugestão para que a Polícia Federal feche as portas do tribunal e jogue a chave fora.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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