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Palanque para condenados

Flávio precisa receber umas ‘colas’ sobre a Constituição

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@donairene13 - Foto Arquivo

Em Porto Alegre, Flávio Bolsonaro resolveu transformar o lançamento de sua pré-candidatura em um espetáculo controverso. Ao afirmar que, se eleito, pretende subir a rampa do Planalto ao lado do pai, Jair Bolsonaro, e dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, o senador não apenas acena para sua base mais radical, como também tensiona perigosamente os limites institucionais do país. A cena, pensada para gerar impacto político, esbarra em um detalhe incômodo: a realidade jurídica.

Faltou explicar o principal. Como exatamente isso aconteceria? Não há, no ordenamento jurídico brasileiro, qualquer mecanismo que permita a reabilitação instantânea de condenados para que participem de um ato oficial dessa natureza. A declaração, portanto, não é apenas retórica inflamada. Ela sugere, ainda que indiretamente, uma disposição de contornar ou ignorar as regras do jogo democrático.

Mas a declaração também não chega a ser surpresa. A família Bolsonaro há tempos opera nesse limite nebuloso entre o discurso político e o flerte com a ilegalidade. Ao naturalizar esse tipo de fala, transforma o que deveria ser exceção em método. O problema é que, quando a exceção vira regra, o risco deixa de ser apenas retórico e passa a ser institucional. E é exatamente aí que mora o verdadeiro perigo.

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