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Cultura

Forças ocultas jogam sujo contra Festival de Brasília

Ka Ferriche

Vai passar. Vai passar no drive in. O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro será apresentado em novo formato em sua 53º Edição. Em 2020, em atual versão sanitária, para tempos de coronavírus, vai permitir que o mais tradicional festival do cinema nacional, realizado no Distrito Federal desde 1965, cumpra seu importante papel cultural sem interromper a agenda anual candanga.

O histórico do evento é confundido com o enredo daquilo que poderia ser uma obra cinematográfica, repleta de acontecimentos marcantes, presenças ilustres e outras nem tanto, que eram os censores do regime militar em seu momento mais cruel, após 1968, quando foi editado o Ato Institucional nº 5 – o AI5.

Até ingênuos filmes comerciais publicitários de meros 15 segundos recebiam censura prévia, antes de vender produtos e serviços veiculados nos intervalos das novelas. Nos anos de chumbo, por três edições (de 1972 a 1974) o Festival não foi realizado. Sucumbiu à vigilância armada, mas não será ferido pelo inimigo invisível da atualidade.

Para contrapor as limitações atuais impostas pela peste mundial, ele ganha um formato moderno, novas ferramentas, um novo conceito. Uma completa releitura que poderá representar um salto para a modernidade. No impedimento protocolar das tradicionais e calorosas aglomerações e manifestações na entrada e auditório do Cine Brasília, entre celebridades e público engajado, imprensa e blogueiros, inumeráveis tribos, a dinâmica será outra. Talvez menos tititi presencial alegre e mais blábláblá virtual nervoso. Sinal dos tempos.

É curioso que observadores afirmam que nas duas últimas décadas, a produção cinematográfica nacional foi completamente reformulada, ganhou em qualidade, atraiu investidores privados nacionais e internacionais, encontrou o caminho comercial – antes o grupo de realizadores estava restrito àqueles que tinham acesso permanente ao patrocínio público, um feudo, segundo produtores e diretores consagrados atuais – mas o festival não, mantinha o antigo formato, talvez romântico, mas incompatível com a própria evolução do cinema.

Pode ser que o mal tenha vindo para o bem do Festival de Brasília. Ao pesquisar o assunto, Notibras teve acesso à licitação que modificou o formato para contratação de empresa para a montagem do evento. Descobriu algo nada incomum para os padrões brasileiros, que foi um protesto apócrifo, segundo a cópia recebida pela redação, uma Carta Aberta, que outros envolvidos e testemunhas afirmam verídica, mas que a cautela exigida pela redação de Notibras não permite afirmar quem são seus autores.

O título “CARTA ABERTA – CHAMAMENTO PÚBLICO – REALIZAÇÃO DO 53º FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO”, entretanto, leva a um conteúdo que faz acusações e relata fatos, que é confirmado como infundado pelo vencedor do certame ouvido e pela própria Secretaria de Cultura e Economia Criativa do GDF. Também foi verificado que o Ministério Público exigiu a alteração do edital anterior, impondo modificação sobre um item que exigia experiência em festival de cinema.

O MP está correto: a concorrência estaria restrita a uns poucos, incluindo a mesma organização que fez o festival nos últimos sete anos. Quem deve organizar o evento é o contratante, não a empresa que será contratada para produzir a infraestrutura necessária. A experiência em “festival de cinema” é irrelevante e poderia ser restritiva, ilegal. Se um fornecedor é capaz de cumprir exigências para um determinado formato, o festival pode ser de cinema ou de pipoca. Se o momento exige nova tecnologia, adaptações conceituais, físicas e virtuais, são imprescindíveis.

Os contratados pela Secretaria de Cultura afirmam que nesse quesito eles são imbatíveis, que todo o certame ocorreu dentro da legalidade, que serão capazes de surpreender. Vamos aguardar. O GDF afirma ter submetido todo o processo ao MP e TCDF, de forma transparente, sem qualquer óbice. Há outro argumento alegado sobre a realização do festival com a precipitação de chuvas no período. O único drive in da América Latina, localizado em Brasília, funciona no período de chuvas.

Quanto à Carta Aberta apócrifa (versão recebida por Notibras) ficam apenas algumas observações de que ela, caso seja verdadeira, traz duas curiosidades, afirmativas impossíveis de serem checadas e confirmadas com os autores anônimos: SUSPENDER e ANULAR o certame, “constatadas as irregularidades”. Os agentes públicos já verificaram e homologaram a licitação. A segunda é muito mais curiosa e tangencia a cultura. A carta diz: “Somente dessa forma será possível preservar o erário público…”

É risível em função de ser uma atividade cultural da maior importância e que, se de fato a tal carta não for mais uma peça fake, e pior, se tiver sido produzida por antigos contratados – ela é coletiva – e hoje contrariados, a cultura do DF caminhava muito mal mesmo. Erário, senhores, só pode ser público… ato falho redundante? Grave, hein!

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