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Vaga de vice

Forças ocultas usam balão furado que não passa perto do Buriti

Publicado

Autor/Imagem:
João Zisman - Texto e Imagem

Brasília sempre teve uma relação curiosa com as chamadas forças ocultas.

Elas aparecem quando faltam explicações. Surgem quando sobram interesses. E costumam frequentar o imaginário político com a discrição própria de quem prefere agir nas sombras.

Pelo menos era assim.

As forças ocultas de hoje parecem ter mudado de comportamento. Não apenas aparecem. Concedem entrevistas, distribuem versões, montam chapas, escolhem candidatos e, em alguns casos, quase antecipam o resultado das convenções partidárias.

A mais recente demonstração dessa habilidade surgiu na forma de uma suposta chapa formada por Celina Leão e Damares Alves.

A história chegou pronta ao mercado político. Não faltou nada. Havia candidata ao governo, candidata a vice, rearranjo partidário, suplência ao Senado e até os efeitos colaterais cuidadosamente distribuídos sobre os demais atores da disputa.

Era uma narrativa tão completa que parecia faltar apenas um detalhe: a realidade.

Celina Leão continua exatamente onde estava antes do surgimento do rumor. Como todos sabem, sua candidatura ao Governo do Distrito Federal não nasceu da posse no Palácio do Buriti. Ela já era o nome natural do grupo governista muito antes disso.

Gustavo Rocha continua ocupando o espaço político que ocupava na semana passada.

Damares Alves continua exercendo o mandato que recebeu das urnas.

E as convenções partidárias continuam marcadas para o momento em que as chapas serão efetivamente definidas.

Isso significa que nada pode mudar?

Claro que não.

A política é a arte do provisório. Alianças surgem, alianças desaparecem, candidaturas avançam e recuam. Quem acompanha eleições sabe que a única certeza absoluta é a existência da incerteza.

Mas uma coisa é reconhecer possibilidades. Outra é transformar possibilidades em notícias e rumores em fatos consumados.

Talvez estejamos diante das famosas forças ocultas.

Mas existe um problema nessa tese.

Quando uma força oculta passa o dia inteiro anunciando a própria existência, ela deixa de ser oculta.

Quando espalha versões em velocidade superior aos acontecimentos, ela deixa de ser mistério.

E quando tenta substituir os fatos por conjecturas, ela passa a revelar mais sobre quem a movimenta do que sobre aqueles que pretende atingir.

No fim das contas, talvez a melhor definição para essa história seja a mais simples.

Não estamos diante de uma notícia.

Estamos diante de um boato excessivamente ambicioso.

E boatos, por mais criativos que sejam, continuam tendo uma enorme dificuldade para competir com a realidade.

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