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Brasil

Fraude no Senado ainda rende e vira caso de polícia

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
Camila Turtelli e Antônio Albuquerque

Os senadores Major Olímpio (PSL) e Mara Gabrilli (PSDB), ambos de São Paulo, decidiram exigir a abertura de uma investigação completa para apurar a fraude registrada na sessão para eleger o presidente do Senado, no sábado, 2. José Maranhão (MDB-PB), que presidia a sessão, diz estar com a consciência tranquila.

A sessão foi tumultuada. Davi Alcolumbre (DEM-AP) foi eleito presidente. Renan Calheiros (MDB-AL), então franco favorito na disputa, retirou sua candidatura quando as confusões começaram. Na reta final da disputa, votaram apenas 77 senadores. O eleito recebeu 42 votos.

Para recordar: são 81 senadores. Porém, na primeira votação, foram computadas 82 cédulas, que foram rasgadas. Em seguida, as demais cédulas foram trituradas por ordem da direção da Mesa do Senado.

Neste domingo, em meio às suspeitas de irregularidade na votação, José Maranhão disse que ainda não sabe como surgiram 82 cédulas. “Se foi intencional, foi uma fraude grosseira”, afirmou.

Maranhão se exime da culpa. “Os votos estavam sendo contados um a um. Qualquer número superior a 81 estava fora dos padrões. Foi por isso que pronunciei pela anulação dos votos e mandei triturar”, disse. Ele também nega ter visto para quem eram os votos nas duas cédulas que estavam fora de envelopes.

Um cinegrafista da TV Globo flagrou que, em ambas as cédulas, o nome do senador Renan Calheiros estava assinalado. Maranhão disse que rasgou os papeis antes de olhar. “Foi uma coisa instintiva. Todo mundo falou ‘Rasga! Rasga!’. Eu rasguei, mas coloquei os pedaços lá em cima da mesa e eles passaram naquela máquina (triturador de papel) com as outras”, afirmou.

Maranhão também nega ter colocado no bolso, como alguns chegaram a dizer. “Coloquei naquele espaço que tem entre a bancada de vidro e a bancada de madeira. Eu me afastei para poder colocar ali embaixo, enquanto a máquina de triturar chegava” disse.

“As chapas eram rubricadas e alguém pegou de má fé ou deliberadamente duas cédulas. A gente ia rubricando em cima da mesa, alguém ao invés de pegar uma, pegou duas”, disse.

Major Olímpio já protocolou requerimento em que ele cobra “imediata instauração de procedimento para investigar crime de fraude”. No documento o senador paulista pede “apreensão dos vídeos da sessão para investigação e a concessão de cópias”.

A equipe do parlamentar esteve no sábado na Polícia Legislativa e também na TV Senado. Eles aguardam as imagens para analisá-las. Ainda não se sabe se a apuração ficará a cargo da Polícia Legislativa, Polícia Civil (de Brasília) ou da Polícia Federal.

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