Curta nossa página


Brasil e Japão

Futebol é filho da eleição, que ensina caminho da vitória sempre ao melhor

Publicado

Autor/Imagem:
Armando Cardoso - Foto de Arquivo/Reprodução ABr

Sabe aquela sensação de dever cumprido após um início palpitante e, em alguns momentos, decepcionante? Foi assim que me senti quanto o moço italiano do apito pôs um ponto final na partida entre Brasil e Japão, vencida com todos os méritos pela Seleção canarinho. Vencemos por 2 a 1. E precisava de mais? Como na vitória recente de um presidente da República, me vi representado no meio daquela multidão que lotou o Estádio de Houston. Como estava longe, me limitei a bater panelas como na eleição de 2022, quando o melhor também ganhou do pio pela contagem mínima.

E bati tampas e furei panelas por duas razões básicas: venceu o melhor, venceu aquele que tinha mais repertório. Como já disse em outras ocasiões, o escrete de Carlo Ancelotti não é a maravilha que alguns narradores, comentaristas e torcedores que, como, não têm vergonha de exagerar no patriotismo. Por outro lado, não é tão ruim como apregoam os patriotas de meia tigela. Embora se escondam na própria mediocridade ou não queiram aparecer para não dar cartaz aos que ainda pensam o Brasil como país do futuro, esses são muitos.

São tantos, mas incomodam muito menos do que já incomodaram. Azar o deles. Torcer contra a Seleção Brasileira para evitar que aquele presidente eleito fature com a possibilidade de um título sob sua gestão é a prova de que eles não fazem nenhuma falta à sociedade. O Brasil tem solução. E, para o bem de todos, não passa por eles. A vitória contra o Japão mostrou que o futebol pode funcionar como um anestésico social, onde o foco na paixão pela Seleção faz com que problemas estruturais e políticos graves fiquem em segundo plano.

O que o povo não esquece é o desejo incontrolável de determinada ideologia em se desfazer do Brasil a qualquer preço. Talvez até de graça. Eles torcem contra porque avaliam o futebol como instrumento capaz de elevar o potencial eleitoral do adversário a potências inimagináveis. Não estão totalmente errados, mas, por outro lado, defender a derrota como tentativa de reduzir o futebol a uma ferramenta de controle de massas é ignorar o enorme potencial mobilizador e de transformação social que o esporte tem.

Mais do que isso, é pensar muito pequeno. É colocar a política e o poder acima de um dos maiores prazeres do povo brasileiro. É claro que vão me incluir na lista dos doidões que bebem detergente, mas os que preferiam a vitória japonesa esquecem que, historicamente, o futebol surgiu elitista e se popularizou, tornando-se um dos principais palcos de ascensão social e de expressão das camadas populares e periféricas. Nos 22 jogadores da atual Seleção Brasileira os exemplos são muitos, mas Vini e Neymar Júnior são as referências.

E por que não amá-los se, para muitas comunidades e para uma multidão de brasileiros, eles são hoje uma das principais fontes de alegria, orgulho e de união coletiva. Aceitem que, em lugar de mitos fajutos, jogadores estrelados brilhem para o povo. E não importa que sejam milionários. Vocês também são e, ao contrário deles, adoram entristecer à maioria da população. Na verdade, não fazem nada para alegrá-la. Vida longa à Seleção. Torci muito e torcerei ainda mais no domingo, contra os vikings noruegueses. A caminhada rumo ao hexa permanece inalterada. É verdade que falta um pouco de raça e de talento. Todavia, com a força de nossa fé, vamos muito mais longe do que a vã filosofia dos antagonistas. Avante, Brasil!

…………..

Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.