Mantendo a tradição

Galinho arrasta 10 mil foliões pelas ruas de Brasília

Foto: Wilson Dias/ABr
Paulo Victor Chagas

Foliões de todas as idades se reuniram na zona central de Brasília na tarde deste sábado (10) para prestigiar o Galinho de Brasília, bloquinho que já tem tradição na capital federal pela homenagem que faz ao original Galo da Madrugada, em Recife.

Atrás dos três trios elétricos, foliões fantasiados de diferentes cores e personagens se animavam com as músicas do frevo. O público jovem, maioria presente ao bloco, era o mais empolgado e que dava tom ao clima da azaração. De acordo com o governo do Distrito Federal, 10 mil pessoas compareceram ao bloco, que percorreu parte do setor bancário da cidade e algumas quadras comerciais da Asa Sul.

Pouco depois que o bloco começou a sair, ainda eram vistas inúmeras crianças brincando próximas de suas famílias, mulheres grávidas e vendedores ambulantes abusando da criatividade do marketing. Ao lado de jovens que, fantasiados de pescadores, buscavam “pescar” as garotas com latinhas de cerveja, uma banquinha oferecia potinhos com glitter, com a propaganda: “Brilhe aqui”.

Nascido em Pernambuco, mas há 40 anos em Brasília, Paulo Estanislau disse que gosta do Galinho, embora reconheça que igual o original, “jamais vai ser”. “Por mais que a gente ame o frevo e o Galinho, não é a mesma coisa que estar em Olinda. Você olha aqui, as pessoas estão andando. Já em Pernambuco, as pessoas estão pulando, dançando”, explicou.

A professora Joanice Medeiros, 40, que está há 16 anos na capital federal e também é pernambucana, concorda com o colega de folia. “Cada lugar tem a sua característica. Os pernambucanos já têm essa energia do frevo e as pessoas aqui em Brasília ainda estão começando a valorizar mais o frevo. É por isso que ainda não há tanta energia quanto lá, mas eu acho que é muito bom, maravilhoso, e deve continuar, mesmo com todas as reclamações do pessoal”, afirmou, referindo-se às críticas de moradores de quadras residenciais sobre o som alto dos dias de carnaval.

“Música não é barulho, é alegria, é animação. Música eleva o espírito. É muito bom, e são só três dias. Se não gosta de carnaval, tudo bem. Mas são três dias, tem mais 362 dias”, argumenta Paulo Estanislau.

A assessora administrativa Liz Oliveira, 37, se surpreendeu com a quantidade de pessoas presentes. Ela e o namorado Rodrigo Salomão, 39, contam que não curtiam o carnaval em Brasília desde 2015 e este ano estão achando mais agitado.

“Já vim algumas vezes, é sempre muito bom, mas esse ano realmente está mais cheio. Dá pra ver que as pessoas que estão aqui estão incorporadas, animadas, está bacana”, disse ela.

A pesquisadora e sanitarista Jacinta Sena, 52, que compareceu ao bloquinho ao lado dos filhos e de um neto, também elogiou a animação do pessoal, conduzido pela Orquestra Popular Marafreboi. “Esse aqui eu levei com um ano”, orgulha-se, apontando para o filho, já adulto. “Estou achando muito animado. Já passei o carnaval em outros lugares, mas gosto muito do carnaval de Brasília, gosto do Galinho e do Pacotão. Amanhã estarei lá”, anuncia, referindo-se a outra tradição da folia brasiliense.

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