Golpe da vida
Gandula recuado, o mito que já vestiu 17 e 22 teme permanência do 13
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Páscoa ou Domingo da Ressurreição é a data em que se comemora a ressurreição de Jesus dentre os mortos. É o ponto culminante da Paixão de Cristo, precedida pela Quaresma, um período de 40 dias de jejum, oração e penitência. Nada a ver com política, certo? Errado! Para os fanáticos, principalmente para os pagãos, esses dias que antecedem o Domingo de Páscoa já são considerados como o ressurgimento, algo como a revivescência de Jair Bolsonaro, o ex-presidente dos sonhos para alguns e dos tenebrosos pesadelos para a maioria dos brasileiros.
Tenho ouvido absurdos horrorosos sobre o ministro Alexandre de Moraes. Além de herege, filho de Satanás e o Diabo vestido de toga, já ouvi dizer que, pelo menos em relação ao ex-presidente Bolsonaro, Xandão é o exemplo vivo de desumanidade. Com todo respeito à liberdade de expressão e à licença poética desse povo, mas, usando uma das sete frases de Jesus na cruz, Pai perdoa os ansiosos e perdidos patriotas, pois eles não sabem o que dizem. Sem zombarias religiosas, nem o que fazem.
Os seguidores do mito podem – e devem – ser perdoados. Entretanto, alguém precisa lembrá-los da fase mais crítica da Covid-19, quando Bolsonaro e seu entorno riam da sufocante morte de milhares de brasileiros alcançados pela letalidade do vírus. Tudo bem que nenhum deles era coveiro, mas foi demais assistir em rede nacional um mandatário debochando e imitando alguém que estivesse morrendo. Dirão os pagãos que ali não houve desumanidade. Era apenas mais uma das muitas brincadeiras sem graça do Jair.
Repito que o tempo passou, o tempo voou e tudo continua numa boa para o Brasil dos sobreviventes daquele insensível e intolerante governo. Se havia alguma desconfiança, a dúvida não existe mais. Como massa de pão, os brasileiros sofreram, apanharam, mas cresceram politicamente. Tanto que, exceção para os de sempre, a maioria não admite sequer presumir a volta do retrocesso. No imaginário popular, o que existe atualmente é a certeza de dias ainda melhores do que os que estamos vivendo sob nova direção.
Pouco importa se a figura central desta narrativa está no recolhimento domiciliar ou no solitário silêncio da quitinete fria e própria para quem foge de suas responsabilidades legais. Importante é que as conjecturas negativas fiquem onde estão. Do meu feliz e libertário catre, simbolicamente visualizo um cidadão que já se imaginou jogando nas 11. Mal e porcamente, ele realmente jogou. Foi 17, 22, mas hoje morre de medo da permanência do 13. Suposto atleta, se vangloriou e se comportou como artilheiro e mito por onde passou. Hoje, o soluço mora ao lado.
Terminou como todos os que se acham imorríveis. Ao encerrar prematuramente a carreira, da noite para o dia percebeu que hoje não passa de gandula recuado e sem nenhum dos uniformes que envergou pelos estádios do povo. Seriam os golpes da vida? Certamente. Como sei que dói, é melhor dizer que a vida dá voltas. Às vezes, elas são festivamente olímpicas. Em outras, cobram o pênalti perdido, a falta com violência acima do permitido e as recorrentes práticas racistas, homofóbicas e preconceituosas dentro das quatro linhas. Quem? Quem? Quem? Esse cara não sou eu. É ele!
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Wenceslau Araújo é Editor-chefe de Notibras