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Brasil

Generais dão a Bolsonaro opção de ser presidente

Foto: Joedson Alves/EFE - EstadãoConteúdo
Ka Ferriche

O sansei Kim Kataguiri, deputado federal pelo DEM/SP, acha que o presidente Bolsonaro não é sensei. Para poupar pesquisas e não interromper a leitura, aos desatentos, sansei nas Américas significa neto de imigrantes japoneses; e sensei é aquele que ensina, lidera, orienta. É o mestre.

Meninão, o japinha é bom de fala. Tem perfil controverso, mas costuma acertar, motivo que o levou a liderar um movimento nacional em apoio ao impedimento da “presidenta” Dilma e à eleição de Bolsonaro. Conveniente situação, não há dúvida, para quem é líder do MBL – Movimento Brasil Livre, responsável pelo oportuno sucesso dele nas redes sociais e nas urnas.

Pela idade do sansei eleito para a Câmara dos Deputados e de seu próximo temporal coleguinha de geração, filho do presidente Bolsonaro, Carlos, eleito mero vereador para tratar de assuntos da cidade do Rio de Janeiro, não há como não estabelecer equivalências. Ou a falta delas.

O japa Kataguiri é valente, devemos reconhecer, ainda que não sejam aprovados, por muitos, seus métodos e filiação partidária. Enfrenta seus opositores na arena para a qual foi eleito, fala ao vivo, no púlpito do Congresso Nacional, antes de repercutir suas falas nas redes sociais.

Carlos Bolsonaro, que é cobrado pelo desempenho em ações em prol dos habitantes da cidade carioca para a qual foi eleito e é pago – não há nas suas redes sociais nenhuma satisfação sobre isso – preferiu a inserção longe da cidade que o elegeu, orientado pela astrologia desacreditada de seu pai adotivo, para dar palpites no Palácio do Planalto e prejudicar o Brasil.

Em resumo é isso. E o resultado é o que aí está. Kataguiri, o infante federal, afirma que melhor seria Bolsonaro ser a rainha da Inglaterra, deixar que profissionais assumam a governança. Dois filhos de Bolsonaro, que são identificados maldosamente como parlamentares úteis (e até agora não foram, antes fossem), Flávio e Eduardo, que teriam legitimidade para tocar fogo no circo, são tímidos e preteridos na guerra atual travada entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

Onde estão? Entregaram a família ao irmão porra-louca vereador que não tem nenhuma relação institucional com o Palácio do Planalto. E aí?, perguntam os órgãos de imprensa isentos. O meninão Carlos Bolsonaro, hipnotizado pelos astros, mimado para escapar dos consultórios de análise após a separação de seus pais, nomeia assessores no Palácio do Planalto, por recomendação de um sniper metafísico que não acerta um único tiro a distância. Mora nos EUA.

Fabio Wajngarten, que não tem formação nem histórico profissional reconhecido internacionalmente no meio da propaganda, muito menos pelos expoentes técnicos em redes sociais, pode ter sido indicado por sua origem judaica e por ter colaborado um pouquinho – entretanto, a grande massa atuante nas redes sociais foi orgânica e ele nenhuma participação teve no caso – na campanha eleitoral de Bolsonaro. Suas credenciais não existem tecnicamente. Mas ele foi plantado lá, ao lado de um herói de guerra.

O ministro que não costuma achar graça de nada, ainda que Kataguiri reconheça Bolsonaro como rainha da Inglaterra, é soldado e não pensa de maneira não cartesiana. Tomara que seja a interpretação (nesse caso) sensata nos bastidores do poder Executivo. Melhor para Bolsonaro.

A orientação para o presidente recusar a manifestação pró-intervenção no Legislativo e Judiciário anunciada para este domingo 26 foi orientada pelo mesmo general que não ri. Comunistas colegas do guru astrólogo de Carlos Bolsonaro, também têm cérebro, assim como os generais, e sabem que não há possibilidade de intervenção militar. Usando a nomenclatura empregada por esse idiota que influenciou e ofendeu autoridades, que defeca asneiras, cujo nome deve ser evitado para não propagar ainda mais a sua vaidade de personagem adivinhador do futuro, que gostaria de estar no programa Fantástico do dia 31 de dezembro fazendo previsões, só existe uma recomendação: vai cagar, astrólogo!

A sorte da sociedade brasileira é que existe uma decisão de missão que os generais vão cumprir: o restabelecimento da democracia. Está difícil porque perderam a oportunidade histórica de enquadrar o Judiciário e o Legislativo. A chama foi parcialmente apagada pela imaturidade de Bolsonaro, pelo seu compromisso com um filho pródigo, pela inexperiência provável de nunca ter liderado coisa nenhuma em 30 anos de parlamento, que não entendeu quem são os chamados cagões pelo seu filho tchuthuca.

Agora os comandantes não deixarão o governo de jeito nenhum, com ou sem Bolsonaro, só quando a decência for uma esperança. O Brasil pode ficar tranquilo. Carlos Bolsonaro fará do Rio de Janeiro uma cidade maravilhosa, ele é um gênio. O Rio é um reduto onde metade dos eleitores é produto da milícia. Metade da outra metade é produto de eleitores submissos à milícia.

Certamente Carlos Bolsonaro não faz parte desse eleitorado. Ele está muito preocupado com isso e pretende honrar o salário e os votos que recebeu. Vai parar de fazer asneiras no plano nacional. Kim Kataguiri e Guedes encheram o saco de amadorismos. Generais também. Já pediram os passaportes, embora prefiram ficar e colocar too mundo na linha

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