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Brasil

Generais entram em cena para serenar a crise

Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República - Arquivo Notibras
Marta Nobre

Um grupo de oficiais de alta patente formou um escudo para blindar Gustavo Bebianno na crise política construída por Carlos Bolsonaro, ao desmentir pelas redes sociais frase atribuída ao ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, de que teria falado com Jair Bolsonaro por três vezes, em um mesmo dia, sobre os laranjas do PSL. Três é um número cabalístico. Transporta a Pedro, a Cristo, a religião. E a traição.

Bebianno é forte, sagaz, polido e inteligente. Além de amigo do presidente. Quem articulou a campanha vitoriosa de Bolsonaro foi o atual ministro. Ele abriu as portas do partido ao então candidato quando foi procurado por um grupo de generais. E esses mesmos militares entram em cena agora para desarmar a bomba que mira o governo como um todo.

O embate Vereador x Ministro transformou o Palácio do Planalto em uma imensa fogueira política. Bolsonaro tomou partido ao ficar ao lado do filho que quer derrubar o dono do partido. “Se (o Bebianno) estiver envolvido e, logicamente, responsabilizado, lamentavelmente o destino não pode ser outro a não ser voltar às suas origens”, afirmou o presidente em declarações depois de desembarcar em Brasília, ao término dos 17 dias que o ressuscitaram da facada no período eleitoral.

O ministro Sérgio Moro entrou no circuito. Foi orientado por Jair Bolsonaro para entregar o caso dos ‘laranjas do PSL’ à Polícia Federal. E as investigações já começaram. Os responsáveis pela apuração ganharam carta branca. A ordem é evitar que o PSL fique contaminado. E se houver uma laranja podre, ela será descartada, garante o presidente.

Bebianno está sendo fritado desde que resolveu bater de frente com Onix Lorenzoni, da Casa Civil. O secretário-geral do Planalto tomou partido em defesa de Paulo Guedes, ministro da Economia, no primeiro entrevero no governo. Lorenzoni tem o DEM, que comanda o Senado e a Câmara. Mas Bebianno tem o PSL. E por isso mesmo não vai se demitir. Se sair, a exoneração não será ‘ pedido’, mas por ordem expressa do presidente.

Os generais que estão dentro do governo – e mesmo aqueles que, do lado de fora, dão pitacos em grupos reservados do WhatsApp -, alertam que o Planalto não é a ‘casa da família Bolsonaro’. Em outras palavras: o presidente não pode levar para a administração pública o calor da disputa de um filho com um de seus ministros. Essa mensagem foi levada ao vice Hamilton Mourão.

Como coordenador-geral da campanha presidencial, Bebianno fez muitos acordos. E tem muita bala na agulha. Se sair, pode usar sua artilharia. E cair atirando. Para evitar que as balas atinjam o governo em cheio é que os generais decidiram entrar em ação. O ideal, segundo um desses militares com muitas estrelas nos ombros, é que Bolsonaro mantenha na política a dieta do hospital. Mesmo porque, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

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