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Brasil

General Nogueira incita a anarquia no meio militar

José Seabra, Diretor-Editor

Jogaram gasolina no Circo Brasil. Falta quem risque o fósforo. Com a linha vermelha chamuscada, ou alguém toma providências enérgicas, ou será permitido a um cabo ou a um soldado bradar, não necessariamente fardados, que vão fechar o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional. Essa hipótese (do Circo Brasil incendiado e STF, Senado e Câmara sem funcionar) ganha mais força a partir do momento em que ficou caracterizado que qualquer militar pode atravessar o Rubicão sem ser punido. A dúvida é se o ‘Velho Riacho’ romano, o equivalente à nossa Praça dos Três Poderes, pode ser ultrapassado por uma tropa em direção ao Palácio do Planalto, para de lá tirar o atual inquilino.

Esse jogo de palavras serve para ilustrar a fragilidade da decisão do general Paulo Sérgio Nogueira de deixar de punir, como exige o Regulamento Disciplinar do Exército, o general da ativa Eduardo Pazuello por ter participado de ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro. No cenário de Brasília, a fraqueza demonstrada pelo comandante do Exército está sendo interpretada como o ato de mais um general bolsonarista raiz que resolve descer do muro, com medo, é o que se avalia, de perder o próprio emprego.

Teme-se agora que se concretize a fala do vice Hamilton Mourão, sobre Pazuello ser ou não punido. General da reserva, o vice-presidente, tão logo eclodiu a desobediência às regras praticada pelo ex-ministro da Saúde, defendeu publicamente um puxão forte de orelhas em Pazuello. Isso validaria a tese (que agora parece existir só no papel) que veda a participação de militares da ativa em atos políticos.

Sem punição, observou Mourão, haveria o risco de a anarquia se instalar no seio das Forças Armadas. Sobre o assunto, Mourão também disse, textualmente: “Eu já sei que o Pazuello já entrou em contato com o comandante informando ali, colocando a cabeça dele no cutelo, entendendo que ele cometeu um erro”. Hoje o que se questiona é se o vice foi mal informado ou transmitiu uma opinião própria, atribuindo a terceiros sua inconsciência, não necessariamente sua inconsequência.

O certo é que Pazuello cometeu uma transgressão. Nas palavras de militares da reserva e da ativa ouvidos sob a condição de anonimato, foi uma infração grave. Mais grave ainda, porém, foi o fato de Paulo Sérgio passar a mão na cabeça do ‘general gordinho’, como diz Bolsonaro. A repercussão da recusa de punir Pazuello foi mal vista no meio político. A polêmica deve se arrastar ao menos até o novo depoimento que o ex-ministro da Saúde será obrigado a prestar à CPI da Covid. Nessa oportunidade, ainda sem data, se alguém alterar a voz, as consequências serão imprevisíveis. E as tropas de choque dos dois lados poderão entrar em choque.

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