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Exlusivo - Digitais enlameadas

Golpe com lanchas de ricaços afunda 20 milhões no Paranoá

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Foto/Imagem:
Carolina Paiva - Foto Reprodução

Há um ditado recorrente que diz quanto mais se tem, mais se quer. E quando o que se deseja é mais dinheiro, aí vale até jogo sujo, que vira caso de polícia. O caso em questão, que Notibras revela com exclusividade a seguir, não envolve nenhum plebeu, mas gente que sequer sabe o que é um gueto. São moradores de mansões (algumas sobre pilotis) que margeiam as agora turvas águas do Lago Paranoá.

O golpe é grande e o prejuízo maior ainda. Diz respeito a negócios com lanchas (não os barquinhos a remo de contos de fadas operados por ogros). O suposto golpista pode ter embolsado algo em torno de 20 milhões de reais num curto espaço tempo. As supostas vítimas perderam embarcações avaliadas, cada uma, em mais de meio milhão de reais.

A confusão é imensurável. Começou no mês passado. E como envolve muitos ‘bacanas’, a ‘mutreta’ foi parar na Direção-Geral da Polícia Civil do Distrito Federal. Notibras teve aceso a uma das ocorrências criminais. O queixoso é Lúcio Cláudio de Souza Santos, residente no Ilhas do Lago. O suposto estelionatário é Rogério Fayad de Albuquerque Rosa, que mora no Lake Side.

Rogério é proprietário (ou, diz-se, arrendatário) da Marina Premier Jet Venda de Embarcação Compartilhada Ltda. Não se sabe da capacidade da ‘garagem’ de lanchas, mas uma rápida contagem dedo a dedo mostra ao menos 40. Como o preço, uma pela outra, gira em torno de 500 mil reais, cerca de 20 milhões escoaram como água pelos dedos. Ou estão prestes a escoar.

No histórico da ocorrência policial (número 119.950, do dia 27 de julho último) consta que Lúcio Flávio denunciou Rogério Fayad como estelionatário. Juntou como provas imagens, documentos e gravações de áudio. Diz ele que Fayad incorreu no crime previsto no art. 171, inciso I, do Código Penal (disposição de coisa alheia como própria).

No meio de todo esse imbróglio, sustenta Lúcio Flávio, o empresário Fayad assinou instrumento particular de confissão de dívida com garantia real e outras avenças, no último dia 1º de junho. Assinaram Fayad, como pessoa física, e o Fayad como pessoa jurídica representando a Premier Jet.

O valor total bruto a ser pago seria de 550 mil reais, em dezoito parcelas com vencimento todo dia 10 de cada mês, vencendo a primeira no dia 10 de junho.

É aí, segundo palavras da suposta vítima, que começa o rolo: Fayad deu como garantia real da dívida uma embarcação cuja propriedade não lhe pertence. Trata-se da lancha Motorboat de nome Allure, inscrita na Autoridade Marítima Brasileira, Capitania Fluvial de Brasília, sob no 5210253198 de 23/02/2021, com capacidade para 1 tripulante e 12 passageiros e motor número A683621, com 380HP.

Ocorre que como a empresa trabalha com a venda de embarcações compartilhadas, a lancha oferecida como garantia havia sido inteiramente vendida em quatro cotas para quatro4 sócios (Lúcio Santos, Jessé Lima, Fábio Medeiros e Rofni Uno). São esses, portanto, os verdadeiros donos da Allure.

Para piorar a situação, Lúcio, Jessé, Fábio e Rofni, só tomaram conhecimento do ato ilícito, quando foram informados de uma execução extrajudicial do contrato de confissão de dívida, com pedido de penhora da embarcação no processo 0724151-48.2022.8.07.0001, que tramita na 2ª Vara de Execução de Títulos Extrajudiciais e Conflitos Arbitrais de Brasília, do Tribunal e Justiça do Distrito Federal e Territórios.

Notibras procurou os advogados dos envolvidos nesse que já é conhecido como um dos mais escandalosos casos de estelionatário envolvendo figuras proeminentes da capital da República. Até a edição desta matéria, não obtivemos sucesso nos contatos.

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