O fim dos privilégios
Haddad assume a bandeira da justiça fiscal
Publicado
em
Há quem veja no apelido “Taxad” um problema de comunicação para Fernando Haddad. Mas, em política, muitas vezes aquilo que nasce como crítica pode ser ressignificado como ativo. A ideia de assumir o rótulo e transformá-lo em bandeira eleitoral não é inédita. A estratégia é simples: em vez de fugir do ataque, incorporá-lo e redefinir seu significado.
No caso, o ponto central não é “taxar” por taxar, mas sim quem paga essa conta. O debate sobre justiça tributária no Brasil é antigo e bastante distorcido. Durante décadas, o peso dos impostos recaiu muito mais sobre o consumo e a renda dos mais pobres do que sobre grandes fortunas e patrimônios elevados. Transformar “Taxad” em símbolo de taxação dos super-ricos pode, portanto, dialogar com um sentimento difuso de desigualdade que atravessa a sociedade brasileira.
O desafio, no entanto, não é conceitual, é comunicacional. Explicar justiça tributária em um país marcado por desconfiança do Estado exige clareza e didatismo. Se a narrativa não for bem construída, o risco é reforçar o senso comum de que “imposto é sempre ruim”, independentemente de quem paga. Por outro lado, se bem conduzida, essa estratégia pode inverter a lógica do debate: em vez de um candidato rotulado negativamente, surge alguém disposto a enfrentar privilégios históricos. Como sempre, tudo se resume à capacidade de traduzir uma ideia complexa em algo que faça sentido no cotidiano das pessoas.