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O Lado B da Literatura

Hipólito José da Costa, patrono da imprensa

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Autor/Imagem:
Cassiano Condé - Foto de Arquivo

O retratado de hoje em O Lado B da Literatura é Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça, uma das mentes mais brilhantes de nossa história. Nascido na Colônia do Sacramento em 13 de agosto de 1774, ele se transformou no respeitado patrono da imprensa nacional e da cadeira 17 da Academia Brasileira de Letras.

Sua trajetória começou em uma região de disputa territorial que hoje pertence ao Uruguai, mas suas raízes estavam firmadas no Rio de Janeiro. Filho de uma família abastada, ele era herdeiro do alferes Félix da Costa Furtado de Mendonça e da dona de casa Ana Josefa Pereira.

Quando a Colônia do Sacramento foi devolvida à Coroa espanhola em 1777, a família buscou abrigo na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Foi nesse cenário gaúcho que o jovem Hipólito passou toda a sua adolescência e iniciou o contato com o conhecimento.

Seus primeiros estudos formais aconteceram em Porto Alegre, demonstrando desde cedo uma aptidão incomum para as letras e o pensamento crítico. Buscando uma formação de excelência, ele cruzou o Oceano Atlântico para ingressar na tradicional Universidade de Coimbra, em Portugal.

Na prestigiada instituição europeia, o jovem demonstrou uma mente multidisciplinar ao se formar com sucesso em leis, filosofia e matemática no ano de 1798. Seu talento logo chamou a atenção da Coroa portuguesa, que decidiu aproveitar suas habilidades em missões internacionais de grande relevância.

Recém-formado, ele foi nomeado diplomata e enviado em 16 de outubro de 1798 para os Estados Unidos e para o México. A missão oficial consistia em estudar de perto a economia desses locais e compreender as novas técnicas industriais aplicadas pelos norte-americanos.

Durante os dois anos em que viveu na Filadélfia, Hipólito tomou uma decisão que mudaria completamente o rumo do seu destino. Ele ingressou oficialmente na maçonaria, uma sociedade secreta que influenciou profundamente seus ideais liberais e suas futuras ações políticas.

Ao retornar à Europa em 1802, viajou a serviço da Coroa para Londres com o pretexto de comprar livros e maquinários industriais. Ocultamente, o diplomata aproveitou a viagem para estreitar laços secretos entre as lojas maçônicas de Portugal e o Grande Oriente inglês.

Essa audácia cobrou um preço alto quando ele retornou a Portugal e acabou detido pela temida Inquisição, sob ordens do intendente Pina Manique. Acusado de heresia e de espalhar ideias maçônicas pela Europa, ele foi jogado nas celas escuras do Tribunal do Santo Ofício.

Sua permanência na prisão durou até 1805, quando protagonizou uma fuga espetacular digna de cinema ao se disfarçar de criado. Com a ajuda crucial de seus irmãos maçons, cruzou a fronteira espanhola e conseguiu exílio seguro na acolhedora Grã-Bretanha.

Em solo britânico, recebeu a proteção do príncipe Augusto Frederico, adquiriu ações financeiras e obteve o status legal de estrangeiro neutralizado. Ali reconstruiu sua vida afetiva, casando-se com Mary Ann Troughton da Costa, com quem teve três filhos ao longo dos anos.

Foi em Londres que ele fundou, em 1º de junho de 1808, o lendário Correio Braziliense, considerado o primeiro jornal da história brasileira. O periódico era totalmente redigido em língua portuguesa, mas precisava ser impresso no exterior para fugir da censura da colônia.

Através das páginas de seu jornal, Hipólito combateu ferozmente seus inimigos políticos e defendeu reformas liberais profundas para a sociedade da época. Suas palavras ecoaram de forma clandestina nas elites coloniais, pavimentando com coragem o caminho rumo à Independência do Brasil em 1822.

Mesmo enfrentando perseguições e fazendo acordos de moderação com a Coroa, o jornalista manteve seu veículo em circulação ininterrupta até o ano de 1823. Hipólito faleceu em Londres no dia 11 de setembro de 1823, sem saber que havia sido nomeado cônsul do Império do Brasil.

O pioneiro da nossa comunicação social hoje dá nome a museus e teve seus restos mortais trasladados para os jardins do Museu da Imprensa, em Brasília. Em 2010, sua importância foi eternizada com a inscrição de seu nome no Livro de Aço dos heróis nacionais.

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Cassiano Condé, 82, gaúcho, deixou de teclar reportagens nas redações por onde passou. Agora finca os pés nas areias da Praia do Cassino, em Rio Grande, onde extrai pérolas que se transformam em crônicas.

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