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Dr. Leo

Husky Siberiano, o companheiro de olhos raros que conquistou o mundo

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Autor/Imagem:
Leonardo Bernar - Foto Francisco Filipino

Dono de um olhar que parece de lobo e de uma energia que não acaba nunca, o Husky Siberiano é uma das raças mais fascinantes do planeta. Nascido para puxar trenós na Sibéria, hoje ele ocupa sofás, jardins e corações de famílias em todo o Brasil.

A história começa há milhares de anos, a leste dos Montes Urais. Foi ali que o povo Chukchi selecionou esses cães multifuncionais para enfrentar o frio extremo e transportar cargas leves em longas distâncias sobre a neve.

Em 1867, quando a Rússia ainda administrava o Alasca, os huskies cruzaram o Estreito de Bering e chegaram à América do Norte. A fama mundial veio em 1925, quando uma matilha levou medicamentos até Nome, aldeia isolada por uma tempestade, salvando crianças com difteria.

Dois cães entraram para a história nessa missão: Balto, que liderou o trenó na chegada, e Togo, de 12 anos, que conduziu o trecho mais perigoso. Ambos viraram monumentos, estão em museus e inspiraram filmes que mostram a coragem da raça.

No corpo, o Husky é feito para o trabalho. Os machos medem até 60 cm na cernelha e pesam cerca de 27 kg. As fêmeas chegam a 56 cm e 25 kg. São atléticos, velozes e mais leves que o parente Malamute-do-Alasca, por isso ideais para viagens longas.

A pelagem é um espetáculo à parte. Densa e com subpelo, protege do frio intenso. As cores variam: branco total, preto-e-branco, cinza-e-branco, chocolate-e-branco e muitas outras combinações aceitas pelo padrão oficial da raça.

Os olhos chamam ainda mais atenção. Podem ser castanhos, azuis, um de cada cor — a famosa heterocromia — ou até com duas cores no mesmo olho. A expressão é penetrante, porém amigável, interessada e até um pouco maliciosa.

No temperamento, o Husky é amistoso e terno. Não serve para caça nem para guarda. A agressividade não faz parte do pacote. Tentar transformá-lo em cão de guarda pode gerar problemas, já que é forte e independente por natureza.

Inteligência não falta, mas obediência cega também não. É obstinado, impulsivo e se distrai fácil. Por isso, o adestramento deve começar cedo, com reforço positivo e paciência. Ele aprende, mas decide sozinho se quer obedecer na hora.

Uma curiosidade que impressiona: o uivo do Husky pode ser ouvido a até 16 km de distância. Além de uivar, ele “canta”, “chora” e emite sons únicos que parecem conversa. Silencioso ele não é — e tutor de apartamento precisa saber disso.
A raça é a quarta mais antiga do mundo, segundo estudos genéticos com 161 raças. Para os Chukchi, o Husky era membro da comunidade: puxava trenós, ajudava na caça e dormia junto com a família para aquecer as crianças nas noites glaciais.

O nome “husky” vem do francês e significa “enrouquecido”, referência à vocalização marcante. Já “Siberiano” entrega a origem: a Sibéria russa, onde a neve e o vento moldaram um cão resistente, sociável e incansável.

Apesar da fama de gelado, ele se adapta bem ao clima temperado. Não é fã de calor forte, mas vive bem em grande parte do Brasil desde que tenha sombra, água fresca e exercícios diários. Duas caminhadas por dia ajudam a gastar energia.

Com crianças, costuma ser um doce. É afetuoso, brincalhão e paciente. Só não espere um cão de colo. O Husky gosta de companhia, mas preserva sua independência. Carinho, sim. Grude, nem sempre.

Na Segunda Guerra, voltou aos trenós como mensageiro e transportador de suprimentos. A função histórica de levar alimento e remédio em condições extremas se repetiu, provando que a raça une força, resistência e confiabilidade.

Cuidados com a pelagem são simples, mas constantes. A troca de pelo é intensa uma ou duas vezes por ano. Escovação semanal com rasqueadeira ou furminator ajuda muito. Ração de boa qualidade mantém os fios saudáveis e reduz a queda.

Na saúde, alguns pontos merecem atenção: ceratoconjuntivite seca, displasia, problemas cardíacos e dermatite reativa ao zinco aparecem na lista da raça. Visitas ao veterinário a cada seis meses e exames após os 5 anos são recomendados.

O Husky não é cão de guarda. No máximo, late para avisar algo estranho. Fugitivo por instinto, adora explorar. Quintal sem cerca alta é convite para aventura. Telar e reforçar portões evita que ele saia para “puxar trenó” pelo bairro.

Para quem sonha em ter um, a dica é: energia de sobra, tempo para passear e tolerância com pelos pela casa. Em troca, o tutor ganha um companheiro leal, expressivo e cheio de personalidade, que transforma a rotina com uivos e olhares hipnotizantes.

De puxador de trenó a astro de filme e membro da família, o Husky Siberiano segue escrevendo sua história. Entre a neve da Sibéria e o calor do Brasil, ele prova que beleza, resistência e afeto podem caminhar — ou melhor, correr — juntos.

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Instagram: @leoobernar

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