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Brasília

Ibaneis tirou Renan da jogada para tirar Sudeco das mãos de Bolsonaro

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom
Ka Ferriche

As entranhas do Governo Federal escondem movimentos pouco percebidos pela sociedade e pela imprensa. Além do conhecido Sistema S, que frequentemente é alvo de ataques – Sesc, Senac, Sebrae, Senai, Sesi e Senar -, existe um outro, com características bem diferentes, formado por superintendências regionais: Sudam, Sudene, Sudeco, cujas missões originais são o desenvolvimento regional da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste. Aqui vamos denominá-lo Sistema S2, longe de qualquer referência ao desgastado Caixa 2. O que deveriam produzir as três superintendências? Desenvolvimento Regional, óóó… O que produziram, aos olhos dos habitantes daquelas regiões? Nada, uhuhu…

O ex-presidente Juscelino Kubitschek criou a Sudene em 1959 com o objetivo de levar o progresso aos Estados mais combalidos do Brasil, localizados no Nordeste. Fernando Henrique Cardoso acabou com ela e com a Sudam em 2001. Motivo: desvio de mais de R$ 4 bilhões (valor histórico, não corrigido) em fraudes, que deveriam ter chegado ao público miserável que há 60 anos aguarda os tais recursos de incentivos fiscais, teoricamente destinados à criação de empresas e geração de emprego e renda.

Mas essas superintendências só geraram riquezas para poucos. Muitos poucos. Quando FHC decretou o fim desses órgãos, o pivô do escândalo foi o político Jader Barbalho (MDB-PA). À época, sua esposa Márcia Cristina Zahluth Centeno, foi acusada de desviar pouco mais de R$ 9 milhões que teriam como destino a boca do sapo. Segundo acusações, um ranário de sua propriedade, a Centeno & Moreira, teria recebido, denunciou a imprensa investigativa, esses recursos. Barbalho sempre levitou em torno do órgão nas últimas décadas.

Surpreende que o governo de Bolsonaro tenha sancionado a lei que prorroga até 2023 os incentivos concedidos às empresas do Nordeste e da Amazônia. E mais, caso seja verdade, de ter entregue o tesouro ao inimigo, de acordo com fontes dos bastidores do Planalto.

O Centro-Oeste não foi contemplado, a Sudeco está fora. Até aí, tudo bem, novos mecanismos gerenciais e de fiscalização podem ser adotados e fazer com que a Sudene e a Sudam, afinal, produzam algum resultado naquelas fatias geográficas onde está concentrada a maior população de miseráveis do país. O problema é que chega a informação de que o mesmo Jader Barbalho está dando as cartas na Sudeco, nomeando dirigentes para a autarquia, fazendo e acontecendo, e perpetuando sua oligarquia que, segundo estudos oficiais, só produziu pobreza até hoje. E muitos eleitores, claro. Pior que isso, a Sudeco, que perdeu a oportunidade dos incentivos fiscais – ficou fora do decreto de prorrogação -, quando deveria ser exatamente a região premiada por ter revelado um grande desenvolvimento nos últimos 40 anos.

Mas o Centro-Oeste contou com outro tipo de superintendência: a do trabalho, muito valorizado por empresários do agronegócio que vieram do Sul do País, que ignoram práticas políticas perversas e que foram à luta. Mas se alguém acha que ainda assim o partido de Jader Barbalho, o MDB (também de Renan Calheiros), está contente, tem mais. Tudo pode ser pior: o mega milionário Ibaneis Rocha, também do MDB, dono de uma fortuna declarada publicamente de R$ 90 milhões, pediu para Jader Barbalho a Sudeco para chamar de sua.

Especulações inevitáveis apontam para uma negociação em que a moeda para que o MDB ocupasse tantos espaços sensíveis, foi a desistência de Renan à cadeira da presidência do Senado. Possível fake que não tem relevância no caso. Entretanto, o fato de Ibaneis, hoje governador do Distrito Federal, já declarado candidato à presidência da República em 2022, um emedebista de última hora que não teve tempo de amealhar os predicados questionáveis de seus líderes do MDB, Renan, Jader, Edison Lobão e tantos outros, está a caminho. Vai gastar sua fortuna construindo casas para as pessoas prejudicadas e coisa e tal, conforme jurou durante a campanha.

Bolsonaro vai entregar mesmo a Sudeco a Jader, que ama Renan, que ama Lobão, que ama Ibaneis, que ama toda a família? Quem acompanha sabe que a cirurgia do presidente foi na parte inferior do corpo, atingida pela quadrilha que planejou seu assassinato, não na cabeça.

Hamdan bin Mohammed bin Rashid Al Maktoum, que aqui na redação o tratamos por Fazza, como ele prefere, ficou muito constrangido ao saber da fortuna de Ibaneis. É porque em Dubai o pobre emir gasta isso em um único encontro de família no fim de semana. Em companhia de suas três esposas, naturalmente. Cada um é cada um…

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