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Ilza pode. Jales foi preso e obedeceu ordem da mulher de Agnelo

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A Operação Átrio, que mandou o ex-governador Paulo Octávio passar cinco dias na cadeia, acaba de estourar como uma bomba em dois endereços nobres de Brasília: o Palácio do Buriti, onde funciona o gabinete de Agnelo Queiroz, e a residência oficial de Águas Claras, onde o governador mora com a esposa Ilza Queiroz.

Bem que tentaram uma operação abafa, mas a notícia vazou e a Rádio CBN colocou no ar uma gravação que pode mandar mais gente para a mesma cela que chegou a ser ocupada por Paulo Octávio e figuras expoentes do atual governo.

A verdade é que Ilza, a primeira dama, abusou de uma autoridade que não tem. Sem meias palavras, ela pediu, com a voz de quem manda, como se tomasse emprestada a boca do marido, que Carlos Jales, então administrador de Taguatinga, ‘agilizasse’ o alvará de funcionamento de uma clínica oftalmológica.

Jales, que já sabia estar sendo investigado pela polícia por operações supostamente irregulares, tratou logo de obedecer. E como uma mão lava a outra, fez o que a primeira-dama cobrou. No começo não deu certo para ele, porque acabou preso e perdendo o emprego. Mas logo foi posto em liberdade, com a graça de ‘forças ocultas’.

A polícia investigava a concessão de alvarás fraudulentos. Foi esse motivo que colocou Paulo Octávio e Carlos Jales atrás das grades. Na transcrição da gravação que a CBN colocou no ar flagrando o pedido de Ilza Queiroz, fica claro o uso de influência política.

Ouça trecho da gravação:

Leia a transcrição da gravação:

(ILZA) “Alô.”

(JALES) “Oi, doutora Ilza, boa noite.”

(ILZA) “Meu filho, quero te pedir um favor. Vai abrir lá outra clínica de oftalmologia, e eles deram entrada aí na administração por um alvará.”

(JALES) “A licença de funcionamento.”

(ILZA) “E eu queria ver se você podia agilizar.”

(JALES) “Dona Ilza, pode dormir sabendo que amanhã a licença tá na mão deles.”

Em outra gravação feita no mesmo dia em que o alvará foi liberado, a primeira-dama voltou a ligar para o ex-administrado para agradecer o favor.

(ILZA) “Oi, Jales, tudo bom?”

(JALES) “Oi, doutora Ilza. Tudo bem?”

(ILZA) “Obrigada por estar agilizando lá o negócio. Os meninos me falaram que está faltando uma assinatura, não sei de quem.”

(JALES) “Falta a vistoria do bombeiro. Tô fazendo um termo pra ele assinar e tô dando 90 dias para ele me trazer essa vistoria, e já tô dando a licença pra ele.”

(ILZA) “Ah tá certo. Obrigada, viu, Jales.”

A demora na emissão de alvarás para construção ou funcionamento de empresas em Brasília é alvo constante de reclamação dos empresários. Um processo chega a levar mais de três anos, de acordo com representantes do setor.

A Operação Átrio, da Polícia Civil e do Ministério Público do DF, investiga um suposto esquema irregular para a liberação de alvarás envolvendo empresários de Brasília, administradores regionais e agentes públicos.

Em troca da aprovação dos documentos, os administradores regionais recebiam dinheiro e favores dos empresários interessados. O ex-governador do DF Paulo Octávio chegou a ser preso, acusado de envolvimento com o grupo.

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