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Saúde

Impostor, um gesto e suas muitas implicações

Luciana Kotaka

O tema parece relativamente novo mas na verdade essa é uma questão conhecida por muitas pessoas, senão em todas em alguns momentos de suas vidas. Todos nós estamos vulneráveis à situações e desequilíbrios que nos colocam em xeque, afinal os desafios da vida estão aí e ninguém escapa deles.

A cada obstáculo encontrado há uma aprendizagem muito grande a ser entendida, a escolha de como passar por esses momentos é de cada indivíduo, afinal cada um tem uma missão nesse plano terreno, pelo menos é o que eu acredito. Quando encaramos os desafios conscientes dessa prova tudo fica mais leve e realmente temos forças para transcender o que nos é oferecido.

Em meio a esses caminhos que muitas vezes são tortuosos a insegurança grita em muitos momentos, nos sentimos incapazes em realizar adequadamente o nosso trabalho e em prosseguir com as nossas tarefas. Um exemplo bem comum é quando o chefe lhe atribui uma função e ao receber um elogio você pensa que na verdade não o merecia, que conseguiu enganá-lo e que não é tão bom o suficiente.

Tenho ouvido muitos relatos de pessoas que até têm consciência de que conseguem realizar bem as suas tarefas, mas mesmo assim se sentem impostoras. Acreditam que vendem uma imagem errada do que são na realidade, e como não confiam em si mesmos, sentem-se enganando as pessoas como se estivessem usando uma máscara, e o medo de serem descobertos é muito grande. Esse sentimento causa muito desconforto e acaba minando as possíveis chances, por exemplo, de assumirem postos mais interessantes na carreira.

Algumas característica importantes sobre essa síndrome do impostor:

– Se sabotam constantemente por medo de assumirem um lugar de destaque;

– Procrastinam as tarefas que lhe são atribuídas, ou que sabem que precisam realizar para que alcance o que desejam;

– Sentem muito medo do que as pessoas acham, medo de serem julgados e descobertos em suas farsas;

– Querem agradar o tempo todo;

– Se autodepreciam, não acreditam em si mesmos;

– Não admitem errar, julgando-se o tempo todo com pensamentos negativos a respeito de si mesmos;

– Sentem medo de se exporem, optam por reclamar e adiar suas tarefas para não serem avaliados;

– Constantemente se comparam com outras pessoas sem levar em consideração o esforço que fazem para realizarem os seus objetivos;

– Adquirem o hábito do julgamento, com dificuldades em olharem para si mesmos para mudar comportamentos.

Muitas vezes interpretamos equivocadamente os nossos sentimentos e potencialidades, tudo isso pelo medo e crenças que fomos adquirindo durante a vida. Talvez ao revisitar o passado você perceba que se sentiu humilhado por algum motivo, e a partir daí foi construindo uma imagem cada vez mais negativa de si mesmo.

Estamos falando de sensações e não de doenças, por isso é importante não ter medo pois todo esse contexto pode ser modificado e trabalhado. O psicólogo é um especialista na área do comportamento humano, um facilitador que está a serviço de auxiliar as pessoas a passarem por todo esse processo identificando e ressignificando sentimentos e percepções de si mesmos, o que os auxiliarão na transição para uma autoestima mais saudável.

É verdade que o desafio pode ser grandioso, e que talvez não se sinta preparado o suficientemente para encarar um trabalho de autoconhecimento, ainda mais nesse momento em que temos disponíveis tantas informações, e que na verdade acabam causando muita confusão na nossa cabeça. Mas fique tranquilo, a sensação que você sente não é você de verdade, mas ideias das quais você inconscientemente tem escolhido se identificar.

Quando não estamos acostumados à auto-observação tudo parece muito estranho e difícil, mas lembrando que sempre temos a opção de tornar a vida mais leve e descomplicada e somente você pode optar por essas mudanças.

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