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Livre arbítrio

Imprensa livre é maior alicerce da democracia

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto Editoria de Imagens/IA

Décadas após sentar praça no jornalismo e depois de anos dedicados ao rame-rame, ao compromisso com as fontes e, de alguma forma, respeitando as decisões do patrão, descobri que ser livre, isento e respeitar a si mesmo, consequentemente ao que assina, é o melhor caminho para minha própria credibilidade. E pouco importa que meus escritos firam suscetibilidades, ideologias, políticos descompromissados com a verdade e com o povo e, principalmente, que desagradem àqueles que adoram ler o que lhes convém, ainda que sejam mentiras.

O tempo é de saravá para quem é de saravá, amém para quem é de amém e de luz para quem é de luz. Sobrevivi ao jornalismo profissional, romântico e etéreo de laudas, sem celular, laptop e com disputas ferrenhas por um orelhão. Vivi a melhor época da política brasileira e a fase áurea do futebol nacional. Era feliz e sabia. Ultrapassei o sombrio período de nuvens negras, temporais com raios fúlgidos e chuvas de balas. Às vezes ainda me destroem os neurônios a triste lembrança dos presidentes não reeleitos ou de mandatos curtos, do tipo voo de galinha.

Felizmente foram poucos, mas, como fantasmas políticos, não aceitam sair de cena. Do ponto de vista físico e emocional, agradeço aos céus por estar tomando mais cervejas do que remédios. No meu lead espiritual diário, registro que ainda estou bem distante das mãos que ajudam na hora da dor. Apesar de o Brasil estar pela hora da morte, eu permaneço dois passos à frente da inteligência artificial dos que bebem na caneca sem fundo do mestre dos horrores, surfam nas queimadas e sonham um dia serem levados ao paraíso pelo mito da quiromancia com os pés.

Escondida e à mercê de investidores exclusivamente ideológicos, a imprensa quase não reagiu à crise que se instalou de Norte a Sul do Brasil em passado bem recente. Por razões que a própria razão desconhece, hoje a mesma mídia reage à recuperação nacional. No pior de seu grau superlativo, o país do futuro vive a desgraceira do presente. Temos os mais claudicantes eleitores do mundo, uma lástima de Congresso, uma Seleção Brasileira que não assusta mais a Venezuela e nem a Bolívia, um governo que torce pelo ocaso do líder dos EUA e um povo que se dividiu entre apostar na anarquia, no caos e na ilegalidade e lutar para não morrer na praia.

Sem máscaras, desculpas, escoras, amarras ou mordaças, fujo das lógicas da esquerda e da direita. Faço isso baseado no acúmulo de informações sobre o uso cotidiano da lógica pelos mentirosos e enganadores. Hoje, o que quero é somente liberdade para fazer e escrever o que quiser e decência para fazer o que é certo. Consciente de que vivo e morrerei sendo criticado, desejo pelo menos autonomia e independência para viver sem paralelismos ou ideais irrealizáveis. É o meu livre arbítrio cobrando posições contra as crias e, principalmente, contra os criadores. A esquizofrenia político-social do Brasil não faz parte do que eu havia sonhado para o dia em que deixasse de ser um inocente útil.

Esse dia chegou faz algum tempo. No entanto, falta descobrir como recuperar o tempo perdido para tentar entender onde querem chegar os extremistas e suas verdades inadequadas e ultrapassadas. Antes de pensar exclusivamente em anistiar os vândalos de 8 de janeiro de 2023 e defenestrar Alexandre de Moraes, bem que eles poderiam pensar no que fazer pelo país caso ganhem as eleições. Candidato presidencial que só pensa no próprio umbigo ou no bem-estar dos seus não merece vencer. Derrubar ministros do STF e soltar arruaceiros é tarefa destinada especificamente a parlamentares lunáticos, antidemocratas e desordeiros. Estarei longe disso, mas o sonho jornalístico dos que apoiam esse tipo de gente é acordar em um domingo tenebroso com a seguinte manchete: O crime organizado venceu. O Brasil é nosso.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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