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Circo mambembe

Indecisos vão eleger quem mostrar a verdade

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Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto de Arquivo/ABr

Pendular em suas respostas sobre suas conversas mercantilistas com o irmanito Daniel Vorcaro e, por isso, na corda bamba eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro deve ter percebido tardiamente que a campanha que imaginou para tentar levar Luiz Inácio Lula da Silva às cordas não passa de um circo mambembe. Até agora, a peça imaginada para derrubar um político matreiro não passou de um tiro pela culatra. Os mais inteligentes e mais tolerantes normalmente dão toda sorte de pulos e sabem muito bem como cair de pé.

Os fatos mais recentes mostram que a oposição se perdeu ao achar que um fracassado tarifaço vindo de Marte, um saco de pipocas, um refrigerante da marca Ypê, um filme do Pocketnaro e um monte de dinheiro do Banco Master seriam suficientes para convencer o povo de que seu indicado merece o principal assento da política nacional. Como escreveu Rui Barbosa, ficou claro que, nas democracias, nada mais falsificado do que o título de amigo do povo.

Não há receita para ser um bom candidato à Presidência da República. Entretanto, boas ideias, projetos palpáveis e verdadeiros e discursos alegres e recheados de paz e tolerância são fundamentais para se aproximar positivamente do eleitorado menos fanático, interesseiro e mais associado às questões do país. Em síntese, um bom provável presidente é definido por empatia, alianças sólidas, visão de futuro e, principalmente, respeito à nação e ao povo. Tudo que Flávio não tem.

Parafraseando o norte-americano Ronald Reagan, o maior líder não é necessariamente aquele que faz as maiores coisas, mas sim aquele que faz com que as pessoas façam coisas grandiosas. Por enquanto, desde o fim da última década, boa parte dos quase 160 milhões de eleitores tem certeza de que o verbo liderar está umbilicalmente vinculado ao gerenciamento de sentimentos. O bom presidente forma boas alianças com bons países, sem a necessidade de implorar por ajuda e sem mentir.

É fácil concluir que o bom presidente é eleito pela maioria para servir a toda uma nação, incluindo seus opositores mais ferrenhos, hoje denominados de patriotas raiz. No Brasil de 2026, o cenário de alta polarização e de limites bem definidos indica que vencerá em outubro o candidato que mentir menos e que conseguir, com propostas sem obscenidades, crescer entre os indecisos. Porque, no fim, as eleições não são vencidas apenas com gritos e com apoio do capitalismo selvagem.

Vencedor será o que tiver menos rejeição do que o adversário. Considerando que uma campanha presidencial não é uma guerra para matar inocentes, terá mais votos o postulante que verdadeiramente desejar salvar vidas. O fato é que o Brasil não merece o que está acontecendo e sim algo muito melhor. O mais importante é que o candidato vitorioso lute com todas as armas pela manutenção da democracia. Com esse eu vou desabafar na multidão e, se ninguém se animar, quebro meu tamborim, vou sambar até cair no chão e resmungando bem alto o refrão de Paulo Freire: “A democracia não pretende criar santos, mas fazer justiça”. Portanto, de mulher para mulher, é com eLe que eu vou.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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