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Trocando

Independente da bandeira, vamos votar para manter a máquina girando

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Ouvindo os mais velhos, aprendi que, para mudar um país como o nosso, o eleitor tem de mudar os políticos. A sapiência dos antigos, consequentemente mais sábios, revela que, para mudar políticos, o cidadão e a cidadã aptos ao voto têm de saber votar. Não basta pensar em alguém, digitar o número correspondente e confirmar na urna eletrônica. Antes de qualquer coisa, o povo precisa entender que a consequência de não saber a diferença entre votar e idolatrar políticos é gerar monstros. Como contra os fatos não há argumentos, uma rápida volta ao passado bem recente nos mostrará que já geramos vários.

Todo esse preâmbulo pode ser resumido em uma frase: Se continuarmos optando por votar no escuro, a tendência é que nada fique claro. Para o bem de 213,5 milhões de brasileiros e para a felicidade geral da nação, a sugestão para os cerca de 160 milhões de eleitores é simples: Não votem por memes ou baseados em paixão cega. No Brasil de 2026, a ordem não é eleger quem pode trazer mais benefícios, mas quem é capaz de proporcionar menos prejuízos.

Além de dever cívico, votar é um ato de coragem e de coerência. Por isso, sejamos corajosos e passemos a pesquisar o histórico e a vida pregressa dos candidatos, particularmente dos que almejam o Palácio do Planalto. É uma questão de lógica buscar entre o leão e o lobo aquele com mais experiência e que realmente estejam preocupados em apresentar projetos que beneficiem a coletividade. Por enquanto, boa parte dos postulantes está focada exclusivamente nas redes sociais ou tentando embarcar nas vigarices do Congresso Nacional.

Apostar em crises fabricadas por ideologias temporariamente majoritárias para eleger candidatos que se utilizam de meios escusos para minar as forças dos adversários é o mesmo que jogar um ser humano contra o outro. Em nome do futuro do país, tentemos ser diferentes na forma de crer e de pensar. A consciência de 2026 exige que usemos o voto para manter a máquina girando, independentemente de bandeira, opinião ou de tensões. Todos queremos trabalho, dignidade, saúde, educação e igualdade não como favor, mas como direito de verdade. Debater política pode ser essencial. Todavia, o mais importante é votar em quem sabe manejar a engrenagem.

Afinal, destruir é muito mais fácil do que construir. Com ideais e interesses convergentes certamente alcançaremos o diálogo e, com ele, as transformações desejadas e, quem sabe, menos desigualdade. Portanto, reitero os ensinamentos dos mais velhos quanto à desobrigação de votarmos por opção ou conveniência. É chegado o momento de pulverizarmos a informação do ex-senador italiano Norberto Bobbio, para quem a igualdade não é um fato a ser considerado, mas um dever a ser realizado. Considerando que aquilo que não nos mata nos torna mais fortes, a obrigação de escolher visando a um país mais humano e proativo nos remete ao que experimentamos na atual quadra política.

Podemos não ter o presidente dos sonhos de todos os brasileiros. No entanto, vivemos a plenitude do sistema democrático, o qual, como disse o ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill, “é o pior dos regimes políticos, com exceção de todos os outros que foram praticados”. Não tenho um partido para chamar de meu, não sou de esquerda e nem direita, não tenho políticos de estimação e ainda não sei em que votar. A única coisa que sei é que não votarei em candidatos antipáticos à democracia. Apenas como ilustração, a diferença entre uma democracia e uma ditadura consiste em que, numa democracia, se vota antes de obedecer às ordens.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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