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União desastrosa

Insensatez política ressuscita Judas e Caifás

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto Editoria de Artes/IA

Diferente da maioria das nações mundiais, o Brasil é um dos poucos países nos quais o político travestido de parlamentar, além de fazer leis que um dia os beneficiará, pode votar o próprio salário. É aí que Judas Iscariotes, o discípulo traidor, se une a Caifás, o sumo e cruel sacerdote, para prosperarem econômica, política e socialmente, ao mesmo tempo em que condenam o humilde povo brasileiro à eterna e congênita ignorância e à consequente subserviência.

É aí que a democracia revela seu lado mais fantasmagórico e nocivo à sociedade. Seriam os candidatos a políticos afeitos à vigarice os únicos culpados pelas mazelas do país? Será que estamos certos nessa louca caminhada em busca de mudanças para a República? Depende de onde queiramos mudar. É verdade que os corruptos e vigaristas estão instalados em todos os setores e instâncias da República. Entretanto, basta que pensemos um pouco para identificarmos a nascente e o poente da bandidagem política.

Na política mentirosa como é a nossa qualquer um candidato a cargos eletivos pode ser falsificado. Entretanto, uma rápida consulta à memória pode levar qualquer brasileiro à conclusão de que, por pior que seja o eleito, o melhor ainda é apoiar aquele que claramente se identifica com a causa chamada Brasil. Sou daqueles que se importam menos com as futricas do tipo quem é o sujeito e onde ele está e muito mais com a certeza de que ele pretende chegar aonde todos desejamos.

Recuperar a autoestima é a melhor forma de voltarmos a ser respeitados pelos politiqueiros deste país. Por isso, podemos até mudar, desde que não troquemos a dignidade e a liberdade conquistadas após o arbítrio pela desmoralização do voto. Hoje, independentemente do partido vencedor, o povo deve estar à frente das picuinhas ideológicas. Vença a direita, a esquerda ou o centro, o bem comum da população precisar ser mais importante do que qualquer divergência que o presidente eleito ou seus simpatizantes possam ter. Mudar é bom, mas trocar o que está dando certo pelo retorno do duvidoso é um desserviço ao futuro da nação.

Seja para presidente da República, deputados e senadores, governadores, prefeitos e vereadores, quando alguém escolhe apoiar ou caminhar ao lado de um político corrupto ou mentiroso não está apenas fazendo uma escolha política, mas uma escolha moral que diz muito mais sobre si do que sobre o candidato. É triste afirmar que a maior façanha desses políticos não é ganhar as eleições ou renovar seus mandatos, mas deixar seus eleitores com a consciência e o cérebro cauterizados. Como disse um presidente que é amado por milhões de brasileiros e odiado por outros milhões, a história não é escrita pelos covardes. Segundo esse mandatário, esses não aparecerão nem no rodapé.

A exemplo da maioria esmagadora da sociedade, eu não estou em busca de heróis. Muito pelo contrário. O que procuro é sensatez no trato político neste momento de crise vivida pelo Brasil. Eleger quem tem mais dúvidas e dívidas do que projetos significa abdicar do direito de vencer socialmente e, sobretudo, de garantir a consolidação da democracia. O tamanho do desafio que se avizinha obriga a cada um dos cerca de 160 milhões de eleitores a se transformar em aliado de primeira hora do candidato que se apresentar como indutor do desenvolvimento socioeconômico da nação. Como toda escolha implica em uma renúncia e em uma consequência, a melhor opção será sempre a da segurança. Seguindo os caminhos da democracia e da liberdade, não há como errar.

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